Dia dos Namorados: “Não há luar como o de janeiro nem amor como o primeiro”

Dia dos Namorados: “Não há luar como o de janeiro nem amor como o primeiro”

O dia de S. Valentim comemora-se esta quinta-feira, dia 14 de fevereiro. É o dia do amor por excelência. O Jornal A VERDADE conta-lhe a história de uma mulher que perdeu o marido cedo de mais. Maria da Conceição Silva que, apesar das adversidades da vida, conseguiu ultrapassar o desgosto e hoje é exemplo de garra e de força, com família grande e cheia de vida.

“Não há luar como o de janeiro, nem amor como o primeiro”, quem o diz é Maria da Conceição Silva, ou Sãozinha como é conhecida para os lados de Constance. Com 93 anos e de memória no sítio, contou-nos a sua história de amor que durou pouco mais de oito anos.

Conheceu Joaquim José aos 14 anos quando “andava a guardar chibas e ele a guardar vacas”, mas foi com 16 que começou a namorar. Quanto ao namoro, esse “não era nada como hoje em dia”. “Olha, uma vez roubou-me um beijo e eu não lhe apareci durante 15 dias”, contou, justificando a sua atitude com “o medo da mãe pressentir alguma coisa”. No entanto o desaparecimento durou pouco tempo porque “só queria estar perto dele”

Apesar de ter muitos pretendentes que passavam na rua “a assobiar”, Maria da Conceição confidenciou que “não adiantava de nada”. “Eu não gostava deles, só me lembrava daquele”, disse, referindo-se àquele que viria a ser seu marido.

Sãozinha contou-nos ainda algumas histórias sobre o tempo em que namorou. “Um dia fomos ao S. Simão a pé e, quando vínhamos embora ele tirou as botas e pediu-me para as levar. Depois ia a conversar com outra rapariga, então eu peguei nas botas e atirei-as para o monte”, confidenciou, afirmando que “era ciumenta e que continua a ser”.

Casou-se em 1945, com 20 anos, e dois anos depois teve a primeira filha a quem lhe deu o nome de Conceição. Passados mais um par de anos, e grávida da segunda filha, teve a infelicidade de perder o marido. “Morreu com uma doença na bexiga. Ele deixou-nos no dia 30 de agosto e a minha Mélia nasceu no dia 7 de setembro”, afirmou com tristeza, recordando ainda os “800 escudos de dívida do hospital e do funeral”.

Quando lhe perguntamos o porquê de não ter casado novamente, Maria da Conceição relembra que “até tinha pretendentes”, mas que não os queria. “Um dia apareceu-me um em minha casa a dizer que queria casar comigo e eu mandei-o ir rezar o terço. Não queria mais ninguém, não queria que ninguém batesse nas minhas filhinhas”, constatou.

“Ele era o amor da minha vida, foi o primeiro e o derradeiro. Se não gostasse dele, não rezava por ele todas as noites”, disse de forma assertiva.

A mulher recorda-o, com saudade no olhar, como um “homem muito bom”. “Não era por ser meu, mas não arranjava outro como ele. Não tinha maldade nenhuma. Não me podia ouvir a dizer asneiras. Sempre que começava ele era assim: «Oh São, não digas isso», e pronto eu lá me calava”, referiu em tom de brincadeira.

Agora tem 93 anos, recorda os tempos que passaram “de muita pobreza e sacrifício”, mas afirma que tudo valeu a pena. “Eramos só três, agora somos 20”, fazendo referência aos dois genros, quatro netas e respetivos maridos, e sete bisnetos, que ajudou a criar.

“Considera-se feliz?”, foi a nossa última pergunta. Com um sorriso, a Sãozinha respondeu: “Sim. Tenho uma família de quem gosto muito e que gosta muito de mim, e sei que o meu Quim está à minha espera”.

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