Reclusos da prisão de Paços de Ferreira filmam festa e divulgam em direto no Facebook

Reclusos da prisão de Paços de Ferreira filmam festa e divulgam em direto no Facebook

Durante o passado sábado, dia 9 de fevereiro, dezenas de reclusos do estabelecimento presidiário de Paços de Ferreira transmitiram em direto no Facebook, durante mais de 40 minutos, a festa de aniversário de um dos prisioneiros, condenado por tráfico de droga. A gravação foi captada pela câmara de telemóvel de um dos reclusos.

No vídeo, assiste-se a um clima de grande animação entre os presidiários. Entre danças, canções, bebida e um bolo de aniversário, é possível visualizar uma mesa de jogo de póquer, onde vários jogadores apostam num ambiente divertido. Para além disso, embora a utilização de telemóveis ser proibida dentro dos estabelecimentos prisionais, o vídeo mostra vários reclusos a utilizarem um.

Durante as dezenas de minutos filmados, não há sinal de nenhum guarda prisional, apesar do elevado ruído proveniente da música reproduzida, das vozes e do som criado pelos intervenientes, que imitam o ritmo de instrumentos.

Contactada pelo Correio de Manhã, a Direção-Geral dos Serviços Prisionais indicou que foi instaurado “um inquérito interno, a cargo do Serviço de Auditoria e Inspeção, e coordenado por um procurador”. Segundo informa o Jornal de Notícias, o magistrado do Ministério Público que coordena o Serviço de Auditoria e Inspeção do Norte da Direção-geral de Reinserção e Serviços Prisionais já esteve presente nas instalações durante o dia de ontem.

Apesar de este se tratar de um estabelecimento prisional de alta segurança destinado a reclusos perigosos, entre as 14h e as 15h30 – altura em que decorreu a festa e que coincide com o período de visitas – só se encontravam dois guardas de serviço na ala A, onde estão cerca de 400 reclusos. Perante este cenário, os prisioneiros aproveitaram a abertura das celas para montar mesas no corredor da prisão sem qualquer oposição.

Em declarações à SIC,  Jorge Alves, membro do sindicato nacional do corpo da guarda prisional, explicou a falta de vigilância aos reclusos. “Naquela ala, estavam quatro guardas, sendo que, àquela hora, um dos guardas estava no parlatório a acompanhar as visitas, o outro guarda estava a revistar os reclusos na saída para a visita, e, depois, no regresso ao pavilhão, e o terceiro guarda, ao que parece, estava com a brigada de reclusos a fazer a recolha do lixo. Portanto, isto fez com que só estivesse um guarda na ala para 374 reclusos”.

Jorge Alves lamentou ainda a situação que, garante, não se tratou de um ato isolado. “É lamentável, mas isto efetivamente acontece. Por um lado, porque retiram os guardas da zona prisional onde efetivamente deviam estar; por outro lado, os reclusos estão tão à vontade que fazem o que querem na zona prisional, porque, além de não ter guardas, sentem que não são sancionados por estas questões”.

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