De Bagagem pelo Mundo: Londres fez Vânia Pinto valorizar a qualidade de vida em Castelo de Paiva

De Bagagem pelo Mundo: Londres fez Vânia Pinto valorizar a qualidade de vida em Castelo de Paiva

Algumas pessoas repudiam viver a vida inteira numa aldeia. Outras até negam as suas origens em detrimento de outras cidades que, mais tarde, as acolheram. Mas nem todas as pessoas vêm com maus olhos as suas origens na aldeia.

É precisamente o caso de Vânia Pinto, nascida e criada em Pedorido, uma freguesia situada no concelho de Castelo de Paiva, com vista para o rio. Ali desagua o Rio Arda, afluente da margem esquerda do Rio Douro. Com pouco mais de mil habitantes, Vânia Pinto possui um encanto por este lugar que nem Londres conseguiu despertar nela.

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Viu-se obrigada a emigrar, não por trabalho mas por amor, já que o homem da sua vida teve de sair de Portugal e ir para Inglaterra. No entanto, a sua paixão à terra natal nunca foi tanta como agora que a distância física a separa. Agora que vive na capital de Inglaterra, sente falta do calor humano que acompanhava a sua rotina diária em Pedorido.

“Só dei o devido valor ao lugar onde nasci depois de ter emigrado”, afirma Vânia Pinto, recordando os elementos sonoros e visuais que fazem rapidamente a ponte entre Londres e Pedorido na sua mente e no seu coração. “Aqui é o lugar que te transmite paz, calma, é ali o meu mundo”, confessa.

Ouvir um simples “olá, está tudo bem?” pelas ruas de Pedorido enchiam-lhe o coração. Mas a frieza dos ingleses faz-lhe ter imensas saudades desses tempos e dessa afetividade humana.

“A paisagem linda que vês ao teu redor vale muito, assim como a tranquilidade, porque ali está toda a tua vida”, disse.

Toda a sua vida mudou quando, em 2013, Vânia deixou tudo por amor e entrou no avião que estabeleceu a ligação entre Porto-Londres. Lá permaneceu até hoje onde o amor deu origem a dois rebentos iguais- Vânia teve gémeas, o que veio alterar toda a sua rotina diária.

Agora encontra-se mais por casa para dar todo o carinho, atenção e conforto às suas filhas mas nem sempre foi assim. Chegou a fazer três horas de viagem para ir limpar estabelecimentos e ganhar duas horas.

Tinha feito um curso profissional de 12.º ano como técnica de comunicação, relações públicas marketing e publicidade. Mas mesmo em Portugal não conseguiu encontrar o lugar certo para colocar em prática os seus conhecimentos. Foi trabalhar, em Pedorido, como empregada na esplanada Jardim do Arda. “Em Londres só se faz aquilo que os ingleses não querem fazer, no trabalho não tens amigos e para eles estás ali somente para trabalhar”, explicou.

Essa é das coisas que menos gosta mas os salários e o poder económico que tem agora acaba por compensar face “ao cubo de gelo” que encontrou nos corações dos ingleses. Gostava de ser apenas turista em Inglaterra pois para isso afirma que “não há melhor, as paisagens são lindas, assim como a cidade”.

As diferentes etnias que encontra a cada passo que dá pelas ruas de Londres é das principais distinções que faz entre a aldeia de Pedorido e a cidade que a acolheu após o ato de emigrar. Ainda que considere importante este envolvimento com outras pessoas de cor e crenças diferentes, a vontade de regressar à paz da sua terra natal é muito grande.

“Penso muito no dia em que regressarei à minha terra, e espero que não demore muito”, frisou. Contudo, Vânia será mais uma entre tantas pessoas emigradas que contam os minutos do relógio para verem a hora do voo de regresso a chegar.

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