De Boa Saúde: Antibiótico não é Analgésico

De Boa Saúde: Antibiótico não é Analgésico

Antibiótico Não É Analgésico

“Estou a tomar antibiótico, mas continuo com dores!”

Se calhar já o pensou ou já o disse ou já o ouviu, certo? Em consulta, esta é uma frase relativamente comum, por isso, este mês, vamos esclarecê-la.

 

Disse “Anti-quê”?!

Em primeiro lugar, clarifiquemos conceitos:

Analgésico significa “anti-dor”. Todos os medicamentos com esta propriedade (sejam eles analgésicos puros ou anti-inflamatórios que também têm essa característica) atuam nas vias do nosso organismo que são responsáveis pela transmissão e perceção da dor. O objetivo da sua utilização é reduzir ou eliminar esta sensação desconfortável – à qual, note-se, devemos estar sempre atentos.

Antibiótico, por sua vez, é um tipo de fármaco que tem o propósito geral de combater/eliminar as bactérias que são responsáveis por determinadas infeções, e é com esse intuito que os prescrevemos e utilizamos.

 

Então Um Não Substitui o Outro

Se foi isto que pensou, sim, é isso mesmo, um tipo de fármaco não substitui o outro. É certo que, no caso de algumas infeções em que a dor é um dos sintomas, o processo de proliferação bacteriana pode ser indiretamente responsável pelo desenvolvimento e agravamento dessa dor, no entanto, de um modo geral, a utilização de antibiótico não vai exercer qualquer papel no seu controlo, atuando apenas ao nível da eliminação das bactérias. Ou seja, é natural que, com a toma de antibiótico, a dor se mantenha, porque, para o seu alívio, aquilo que é necessário é um fármaco com ação anti-dor.

 

Nunca é Demais Relembrar

Existe ainda uma outra diferença que não posso deixar de lhe lembrar: os antibióticos são de prescrição médica obrigatória, enquanto os analgésicos podem ser tomados por sua própria iniciativa. Quer isto dizer que, no caso de uma infeção, só deve tomar antibiótico depois de uma avaliação e prescrição médica adequadas (até porque as indicações não são as mesmas para todas as infeções nem para todas as pessoas). Em relação aos analgésicos, pode iniciar o tratamento sintomático por sua decisão, mas lembre-se do seguinte: se a dor não ceder à medicação, persistir ou agravar, é essencial procurar ajuda especializada – mais vale perguntar do que ter de remediar.

Em março, voltamos a pôr a escrita em dia. Conto consigo. E espero encontrá-lo/a de boa saúde.

 

Dr. Francisco Santos Coelho

Médico Interno de Medicina Geral e Familiar

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