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Castelo de Paiva: CAT-Crescer a Cores festeja hoje 10 anos a mudar vidas de crianças

Castelo de Paiva: CAT-Crescer a Cores festeja hoje 10 anos a mudar vidas de crianças

Em 2009, Castelo de Paiva viu nascer um projeto que mudou 86 vidas ao longo destes 10 anos. Quem trabalha diariamente na Associação Familiares das Vítimas da Tragédia de Entre-os-Rios (AFVTER) diz mesmo que se trata de 10 anos de um paradoxo entre a vida e morte.

No dia 9 de fevereiro de 2009 esta associação – criada com o objetivo de ajudar as vítimas da tragédia de Entre-os-Rios, em 2001 – decidiu dar um rumo aos donativos que tinham em caixa em prol de uma causa social que fizesse a diferença no concelho e até no distrito. Constataram a necessidade de uma casa de acolhimento para as crianças, até porque havia, naquela altura, várias delas no concelho de Castelo de Paiva que necessitavam deste serviço por terem visto os seus pais e familiares falecerem na maior tragédia da região.

Faz hoje 10 anos que a CAT-Crescer a Cores, casa de acolhimento criada pela AFVTER, nasceu. Desde então, muitas foram as crianças acolhidas e que conseguiram encontrar um novo rumo, um novo sorriso e até uma nova família. Inicialmente, esta casa de acolhimento que hoje está de parabéns por contemplar uma década, albergava crianças dos 0 aos 18 anos. “Tivemos bebés a caírem-nos nos braços com apenas uma semana de vida”, explicou Augusto Moreira, presidente da associação.

Mas com o passar dos anos, perceberam-se que a maior carência no distrito recaía por uma casa de acolhimento para idades entre os 12 e os 18 anos. Há dois anos mudaram a faixa etária contemplada com os seus serviços e agora esperam ver aprovada a candidatura ao Portugal 2020 a fim de conseguirem mais vagas para estes anos.

“Temos 16 crianças neste momento, é a capacidade máxima que temos sem contar com o berçário que deixamos de ter, mas que ainda ocupa espaço. Se forem substituídos, teremos capacidade para acolher 20 pessoas”, contou Augusto Moreira.

Mudanças à parte, o sucesso permanece intocável, tal como expressa o dirigente da associação. “Trabalhamos os jovens e sensibilizamo-los para os caminhos menos corretos que existem e mostramos a cor dos novos percursos de vida que podem ter”, salientou Augusto Moreira. A CAT-Crescer a Cores tem apoiado os jovens que chegam até esta casa reencaminhados pela proteção de menores, com o consentimento dos tribunais, para os ajudar a definir o projeto das suas vidas.

“Já chegou à CAT de tudo. Desde crianças que agridem os que deles cuidam, até a sequestros de funcionárias”, e isso torna este processo muito mais difícil. Porém, quem nesta casa trabalha tem um lema: “Não desistir de ninguém, por mais difícil que seja”, pois consideram que todos podemos ser encaminhados para o caminho certo.

Casos em que nem as pedras no caminho os afastou do colorido da vida

 

O caminho colorido, por vezes com muitas pedras no caminho, tem sido alcançado por muitas das crianças que vivem nesta casa. É o caso de dois jovens africanos, gémeos, que foram vítimas de discriminação e maus tratos. Eliana Moreira conheceu as crianças através de outra funcionária do CAT que, em dias especiais, levava dois meninos gémeos de três anos a visitar a sua casa. Era uma forma de retirar as crianças do CAT e aquelas duas crianças eram algumas das contempladas.

 

Mas desde a primeira vez que os viu, Eliana Moreira afirma que foi um sentimento especial e inexplicável. “Acho que há coisas que só dá para sentir, e realmente eles escolheram-me para a vida toda, e eu a eles, desde o primeiro momento”, conta.

Aos quatro anos, o pai ainda procurou os dois gémeos, ficando com eles. Mas depois de novos casos inapropriados face aos meninos, voltaram para a casa de acolhimento. Desde então, Eliana soube que era o momento de nunca mais os largar. Em 2015 o processo de adoção terminou.

“Tenho a adoção plena e sabe o que eles me dizem?” questionou Eliana, concluindo que o dia em que tiveram direito ao seu último nome [Moreira] “foi o dia mais importante nas suas vidas”.

Hoje, já têm 13 anos e “são crianças felizes e gratas”. Costuma afirmar que os gémeos são mais gratos “do que se fossem meus filhos biológicos, porque sabem o verdadeiro valor da vida” e o quanto tudo ganhou uma nova cor depois da adoção.

Bons alunos, respeitosos e muito amáveis, exprime com orgulho a mãe dos gémeos, as crianças vieram mudar a vida de todos lá em casa. Eliana é casada e não imagina a sua vida sem estes dois meninos. “Somos uma família muito feliz, e isso vê-se no sorriso deles, no brilho dos olhos deles”, disse com os seus próprios olhos a brilharem também.

“Há quem tenha que pedir baixa médica para superar a perda”

Esta é uma das muitas histórias que pelas quatro paredes da CAT passaram. Mas nem todos conseguem junto dos recursos da CAT recuperarem as suas vidas. “Os comportamentos aditivos são uma realidade e que muitas das vezes temos de encaminhar esse jovens para outras instituições onde haja um trabalho mais adequado aos seus problemas”, conta Augusto Moreira.

No entanto, relembrar alguns desses casos é provocar um sentimento de saudade enorme. Há quem peça baixa médica para não sentir o vazio que fica no quarto de quem partiu. Há quem precise de ajuda médica para se recuperar desta perda. “Os outros amigos choram imenso na hora em que veem alguém partir”, é um processo doloroso que faz com que descrevam esta causa como “desgastante psicologicamente”.

Mas, ultrapassada a saudade – “que fica sempre no coração de todos” – fica o sentimento de dever cumprido. “É imensamente gratificante vermos os nossos meninos a conseguirem uma família, a saírem das drogas, a abandonarem os caminhos errados”, frisou Augusto Moreira.

“Se bateu nos colegas ou a um de nós, não é em desistirmos que ele vai mudar. É mostrando que o comportamento é errado. Fica sem telemóvel, deixa de ir ver a namorada, o que for necessário, até que entenda o que de mal fez”, relata Augusto Moreira.

Ao mesmo tempo, o objetivo é sempre devolver as crianças às suas famílias e junto delas fazerem igualmente um trabalho que evite episódios reincidentes.

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