Populares de Penafiel reivindicam construção urgente do IC35

Populares de Penafiel reivindicam construção urgente do IC35

Populares do concelho de Penafiel organizaram esta quarta-feira, dia 6 de fevereiro, um protesto de reivindicação do futuro traçado rodoviário IC35, que tem como objetivo absorver parte do tráfego que hoje circula na N106, no município de Penafiel.

Cruzes brancas foram colocadas na berma da estrada nacional 106, nas rotundas e cruzamentos para simbolizar os cerca de 500 acidentes, dos quais resultaram 700 vítimas, 11 delas mortais, que aconteceram nos últimos 20 anos.

Uma das populares presente foi Vera Silva, que considera a construção do IC35 como “essencial”. “Continuamos a demorar mais de 35 minutos a chegar a Penafiel, quando estamos a falar de uma distância de 12 quilómetros. É completamente incompreensível”, lamentou.

No que respeita à colocação das cruzes brancas por todo o trajeto, Vera Silva refere que é para “recordar os vários acidentes e mortes”, justificando a escolha da cor branca como “sinal de paz”, garantindo que se tratou de “um protesto pacífico”.

Já para José Rodrigues “existem necessidades a diferentes níveis”. Tendo participado nesta manifestação, este penafidelense considera que “a estrada nacional 106 está uma desgraça, há uma série de acidentes e constrangimentos permanentes, e o nosso tecido empresarial da zona sul do município tem muitas dificuldades de acessos”, recordando que é uma “obra é essencial e necessária”.

O protesto aconteceu em frente ao Bombeiros Voluntários de Entre-os-Rios, onde também se encontrava o comandante da corporação, Marco Ferreira, que destacou os “mais de 30 minutos” que as ambulâncias demoram a percorrer os 12 quilómetros que constituem a atual via de acesso a Penafiel. “Se falarmos da parte sul do concelho, é qualquer coisa como uma hora, é um atraso muito significativo quando estamos a falar em vidas, quando estamos a falar no socorro à população”, sublinhou.

Presidente da Câmara de Penafiel associou-se à manifestação

Antonino de Sousa, presidente da Câmara Municipal de Penafiel, também marcou presença na manifestação. O autarca garantiu que o município “apoiará todas as manifestações que se enquadrem dentro da lei”.

Relativamente ao IC35, “têm sido demasiados anos de espera”, indicou o autarca. “Vemos, ano após ano, a obra ser adiada. Chegamos a 2019 e vimos o adiamento para o Plano Nacional de Investimentos para 2030. A população cansou-se e está saturada de tanta desconsideração”, realçou.

De acordo com Antonino de Sousa, a estrada N106 “tem muito movimento”, com mais de 15 mil viaturas por dia. “É uma estrada que tem um trânsito já muito significativo, sobretudo por causa da indústria da extração e transformação do granito, que se situa mais na zona sul de Penafiel , mas também de Marco de Canaveses”.

“Há uma necessidade premente de criar uma alternativa a esta estrada nacional 106 que já ceifou demasiadas vidas e que já causou demasiado danos materiais”, indicou Antonino de Sousa, admitindo ainda que a população “não vai cruzar os braços” e que a autarquia de Penafiel “vai estar sempre ao lado da população”.

Recorde-se que o IC35 é um troço com 12 quilómetros previsto há já cerca de 20 anos. A reivindicação do itinerário complementar ganhou força com a queda da ponte Hintze Ribeiro, em Entre-os-Rios, em 2001. No mesmo ano, na Assembleia da República, todos os partidos consideraram prioritária a sua construção, que devia estar concluída até 2008. No ano seguinte, foi anunciado que o concurso seria lançado, no entanto, o processo foi suspenso em 2010.

Em 2011 foi realizada uma petição onde era solicitada a construção urgente da via, que foi entregue à Assembleia da República. A obra integrou o Plano Estratégico dos Transportes e Infra-Estruturas 2014/2020 (PETI3+) e na altura o governo garantiu que o troço Penafiel – Rans iria começar em 2014. O concurso para a empreitada foi aberto mas, em 2016, a obra voltou a ser suspensa.

A obra foi agora incluída no Plano Nacional de Investimento 2030 (PNI 2030).

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