Cinfães: Fotografam animais para promover adoção responsável

Cinfães: Fotografam animais para promover adoção responsável

Há cinco anos, Elisabete Monteiro não tinha mais espaço na sua casa para albergar mais animais que se encontravam em Cinfães em situação de risco. Nessa altura, Elisabete percebeu que ainda havia muitos “padutinhos” para socorrer. Foi assim que nasceu a AAPARC- Associação dos Amigos e Protetores dos Animais em Risco de Cinfães.

O projeto foi ganhando corpo à medida que os animais que estavam instalados na casa de Elisabete Monteiro iam sendo esterilizados. Quando a oficialização do projeto foi alcançada, o sentimento de dever cumprido instaurou-se.

A AAPARC é uma associação que visa acolher animais em situação de risco “e não são só os que são abandonados, pois muitas vezes os que não estão abandonados correm maior risco do que os que estão na rua”. Depois disso, os animais seguem para uma clínica veterinária.

Mas mesmo com todos estes cuidados, chegam as dificuldades em conseguirem arranjar um lar digno para cada animal que lhes “bate à porta”. Por essa razão, a AAPARC decidiu tirar fotografias aos seus animais em poses originais, de modo a tornar mais visível o seu projeto e arrecadar um novo lar para cada animal.

“As fotografias são uma forma de promover e divulgar um pouco mais a adoção pois a nossa missão só é realmente cumprida quando conseguimos encontrar uma família responsável que lhes ofereça o verdadeiro e tão merecido recomeço feliz”, disse Elisabete Monteiro, que agora já conta com a ajuda de outras voluntárias que se foram aliando ao projeto.

Paula Martins foi uma dessas pessoas. Patrocinou o fotógrafo para a sessão, o transporte e, ao mesmo tempo, angariou ração para os animais. Este esforço conjunto tem apenas um propósito: proporcionar mais adoções responsáveis.

Embora ainda não tenham colhido frutos desta ação, acreditam que mostrar o lado mais belo dos animais, com o registo até do olhar de cada um através de um registo fotográfico, poderá ajudar a novas adoções.

Os animais ficam “animados” com cada uma das sessões fotográficas que acaba por ser, também, um momento de diversão e partilha de momentos entre os envolvidos na associação.

“Adoção não é um final feliz, é um recomeço”

Elisabete Monteiro rejeita a expressão “final feliz”. O processo de adoção é encarado como um recomeço junto de pessoas responsáveis que cuidarão do animal “como ele realmente merece”.

O abandono de animais “é uma realidade em Cinfães, assim como noutros concelhos vizinhos” e, por isso, torna-se necessário haver um lugar para auxiliar na qualidade de vida de cada “patudinho”. 

A AAPARC já assumiu diversas cirurgias ortopédicas, cirurgias  à coluna, amputações, centenas de esterilizações, fisioterapia de topo incluindo a eletroacupuntura, tratamentos de esgana e parvovirose, de longa duração com sucesso. Na sua associação já passaram “todos os cenários possíveis”. Cães esganados, em coma, surdos e paraplégicos.

E é a este tipo de causas que a associação se dedica: “Não resgatamos todos os abandonados. Resgatamos aqueles que não conseguem sobreviver sozinhos, que correm risco eminente de vida ou têm a sua integridade física em risco”.

No entanto, os casos de risco de vida animal são tantos que “não há boxes suficientes no espaço para albergar tantos animais”. O espaço foi construído com 40 boxes, mas já é insuficiente.

Também não existem contentores do lixo nas imediações do espaço em Cinfães o que obriga os voluntários a terem de “transportar os dejetos dos animais nos próprios carros”.

Infelizmente o abandono é uma terrível e assustadora realidade e mais assustadora ainda é o estado em que muitas vezes são abandonados, frisou.

O processo de adoção não se pode dizer que seja difícil. É um processo em que é feita uma triagem ao candidato à adoção, em que é obrigatório o preenchimento e assinatura do Termo de Responsabilidade de Adoção. “Não sai nenhum patudinho da AAPARC sem microchip e vacinação. É um processo cuidadoso e de muita responsabilidade pois se falharmos a maior vítima é o patudinho adotado”, contou. Tudo o resto a própria lei obriga.

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