Marco de Canaveses: Populares contestam a criação do Parque Eólico de Montedeiras

Marco de Canaveses: Populares contestam a criação do Parque Eólico de Montedeiras

Um grupo de cidadãos residentes na Rua de São Domingos, em Paços de Gaiolo, contesta a instalação de um parque eólico na serra de Montedeiras, cujo processo está em consulta pública até esta quinta-feira, dia 10 de janeiro.

Os principais receios estão relacionados com a proximidade do referido parque e seis habitações localizadas em Fandinhães e na Rua de São Domingos, anteriormente denominada de Rua de São Brás.

Anthonius Mulder, morador da citada rua, alerta para a aproximação da torre do aerogerador seis às habitações localizadas nas imediações. “Para uma torre de 50 metros (e esta tem 80), a distância mínima recomendável é de 1500 metros. Há casas que estão a cerca de 500 metros”, revelou. Maria José Sousa dos Santos, a principal voz do grupo, explica que esta proximidade acata perigos para a saúde e bem-estar dos moradores devido ao “ruído constante”. “Há dois tipos de ruído: o que se ouve e um nocivo, que não se ouve e que é o pior. E também, claro, as vibrações”, explicou.

Outra das preocupações levantadas pelos presentes está relacionada com a possibilidade de danos nas captações naturais de água que abastecem as habitações ali situadas. “A maioria das pessoas daqui não dispõe de água da companhia, a maior parte tem minas e poços. No relatório, coloca-se a possibilidade de utilizarem dinamite. Se desviarem os cursos de água subterrâneos, nós ficamos sem água”, alertou Maria dos Santos. Ainda relativamente a esta questão, Rui Carneiro, outro dos membros do protesto, mostra-se receoso perante uma possível “poluição das linhas de água”, uma vez que “a manutenção das eólicas é feita com óleo”.

Por fim, os habitantes de Fandinhães mostraram-se preocupados com o impacto que a construção pode vir a ter em termos financeiros e paisagísticos. “Desvalorizam-nos as propriedades e destroem a paisagem e tudo o resto”, lamentou Maria dos Santos.

Quando contactada pelo nosso jornal, a Martifer Renewables, empresa responsável pelo projeto, respondeu que, apesar do processo ambiental do mesmo estar ainda “em avaliação por parte da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte”, a avaliação de impactes “permitiu concluir que todos os limites estabelecidos no Regulamento Geral de Ruído são cumpridos pelo presente projeto”. Para além disso, “não foram identificadas captações de água para consumo humano na área de implantação”, pode ler-se no comunicado. Para finalizar, é referido que a obra em questão se trata de um “projeto inovador, não subsidiado, e que será importante na demonstração da viabilidade da estratégia de transição energética de que tanto se fala atualmente”.

A Câmara Municipal de Marco de Canaveses confirmou ao Jornal A VERDADE que, no final da passada semana, recebeu a missiva do grupo de cidadãos. Em comunicado, a autarquia esclarece que “sobre o referido projeto importa referir que o licenciamento do mesmo é da responsabilidade da Direção-Geral de Energia e Geologia (DGEG), e só poderá ser concedido após Decisão de Incidências Ambientais (DIncA) Favorável ou Condicionalmente Favorável, que será emitida pelo Presidente da CCDR-N, ou decorrido o prazo para a sua emissão”.

Durante todo o processo, a Câmara Municipal do Marco de Canaveses “é consultada apenas no sentido de fornecer informação, conforme obrigação legal, da Divisão de Planeamento e Gestão Urbanística quanto à compatibilidade do Projeto do Parque Eólico com o Plano Diretor Municipal, único instrumento de planeamento aplicável e vinculativo dos particulares e entidades públicas de caráter Municipal, tendo a informação sobre o processo sido dada a 9 de setembro de 2017”, indicou a autarquia.

Recorde-se que o período de consulta pública do Estudo de Incidências Ambientais termina hoje, 10 de janeiro e está disponível para conulta online no site da CCDRN – http://participa.pt/consulta.jsp?loadP=2437, bem como nas sedes das Juntas de Freguesia de Paredes de Viadores e Manhuncelos, Sande e São Lourenço do Douro, e Penhalonga e Paço de Gaiolo.

 

 

 

 

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