De Bagagem pelo Mundo: Pela família deixou Baião e entregou-se a Angola

De Bagagem pelo Mundo: Pela família deixou Baião e entregou-se a Angola

Família é a palavra mais importante para Ricardo Sequeira, de 32 anos, que abdicou de estudar para ir viver para Luanda, junto dos seus pais. A força do trabalho fez com que o seu pai emigrasse e, na imperfeição da vida na ausência do seu pilar de família, Ricardo largou tudo e, aos 18 anos, agarrou na sua bagagem e partiu.

Os pais queriam que Ricardo continuasse a estudar mas, ainda assim, ficar longe da família não era uma opção para o jovem natural de Baião.

A emigração é uma prática na sua família e, por isso, fazer parte da população portuguesa que deixou o seu país para se instalar noutro não lhe fez “impressão”.

Por Angola permaneceu 14 anos. Ainda lá está. E a família continua a ser o seu motivo pois é por terras angolanas que consegue o seu “ganha-pão” para fazer face às despesas do seu agregado familiar.

Aos 13 anos, Ricardo e a sua família deixaram Baião e foram viver para Rio de Galinhas, em Marco de Canaveses. Mas a sua morada não passou pela cidade do Marco muito tempo. A primeira vez que visitou Angola tinha ainda 16 anos. Era uma visita para matar as saudades do seu pai. “Eu, a minha mãe e o meu irmão estivemos lá cerca de três meses e, por isso, quando regressei em definitivo já conhecia o país”, contou Ricardo Sequeira.

Adorou o país desde a primeira vez que pisou o seu solo, “talvez pelas diferenças” que por lá encontrou. O “fora do comum” causou-lhe um entusiasmo que se torna difícil transparecer em palavras.

“Diz-se que quem visita Angola, ou adora ou detesta, não há meio termo, e eu concordo com isso”, acrescentou.

As diferenças, aliadas ao facto de Ricardo ter tido “o apoio de toda a família mais chegada” facilitou o processo de adaptação. “O pai mostrou-nos o que de melhor Angola tinha para nos oferecer”, salientou.

Começou a trabalhar numa empresa de construção civil de um tio onde o seu pai também trabalhava. A evolução foi chegando consoante Angola se tornava cada vez mais o seu segundo país. Hoje, é empresário no mesmo ramo.

Embora o trabalho como empresário tenha exigido muito investimento pessoal, bem como do seu tempo, Ricardo Sequeira viu no desporto uma forma de desanuviar e aproveitar o que de melhor Angola tem.

“Sou praticante de desportos motorizados, que sempre foi um sonho, desde criança, mas que só em Angola consegui as condições e a oportunidade certa para me poder iniciar”, salientou.

Além do desporto que pratica que já lhe valeu alguns lugares de pódio no desporto motorizado, também o clima de Angola se tornou numa das suas paixões. É um apaixonado pela natureza e o desporto tem-no ajudado a descobri-la pelos trilhos que pisa.

A beleza do país diz ser “imensa”, oferecendo “condições e variedade para a prática de todo-o-terreno”. Não gosta de confusão e, por isso, a “desorganização de Luanda, principalmente o trânsito”, é algo que o aflige.

No entanto, nem estes fatores negativos o fazem querer voltar a casa. Ricardo Sequeira tem ido duas vezes por ano a Portugal para estar com a sua família e com os seus amigos. Sente falta deles. “Procuramos sempre estar atualizados e matar as saudades através das redes sociais, vídeo-chamadas, mensagens, mas nunca é a mesma coisa que estar juntos, pessoalmente”, confessa.

Nos momentos em que pisa o solo português, Ricardo Sequeira tenta “conviver ao máximo” com todos aqueles que vê duas vezes por ano, de modo a recuperar o tempo perdido.

Mas o regresso definitivo a Baião não faz parte dos seus planos. Em Angola encontrou o amor e por lá colheu os seus frutos: o seu filho. Os pais continuaram a viver por terras africanas e a eles foram-se juntando outros familiares. É por Angola que Ricardo Sequeira tem tudo, desde ao emprego, até ao aconchego do seu lar.

Já se sente um “angolano” e a ter de sair definitivamente de Angola seria já uma dor, uma perda, que advinha ser “dolorosa”. “Temos aqui as nossas vidas, rotinas, amigos, tudo”, frisou, admitindo que guarda Portugal na memória e Baião no coração, mas que é por Angola que passará os seus próximos anos de vida.

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