Réveillon: Quando as 12 badaladas dos sinos anunciavam a chegada do novo ano

Réveillon: Quando as 12 badaladas dos sinos anunciavam a chegada do novo ano

É dia de se tocarem as doze badaladas que contam os minutos para a entrada no novo ano. “Feliz Ano Novo” já se diz em várias partes do mundo mas, em Portugal, só à meia noite é que se fazem as honras a 2019.

Neste dia do ano fala-se em Réveillon, palavra de origem francesa que significa “acordar” e “despertar”. Por isso, esta noite tocam os sinos como forma de colocarem em alerta a população e avisar que o novo ano já se iniciou.

Nos dias de hoje, a cada uma das 12 badaladas come-se uma uva passa, que acarreta uma simbologia: um desejo por cada mês do ano. As badaladas significam os meses do ano que acabou de entrar em vigor. Ao todo, são 12 badaladas, 12 passas e 12 desejos.

No entanto, a tradição é antiga, quando o único sinal de que o novo ano tinha chegado era o toque dos sinos das igrejas. Durante muitos anos, os sinos das igrejas comemoravam, avisavam, lembravam e evocavam significados distintos. As igrejas badalavam os seus sinos em diferentes ocasiões. Com a automação dos sinos, algumas delas foram deixando de acontecer.

Rezar às alminhas, por exemplo, deixou de ser uma prática. Quem o diz é o padre Sérgio Fernandes, pároco da freguesia de Sobrado, em Castelo de Paiva.

“Antigamente, os toques davam para se interpretar, as próprias pessoas tocavam ao seu ritmo. Antes era com uma corda com um badalo que, como estava na ponta do eixo com uma corda faziam tocar os sinos”, explicou.

É por causa da existência de um badalo nos dias que hoje se fala no termo “badaladas”. As histórias são muitas, desde padres que ficavam a ouvir a rádio à espera que avisassem das horas para avisar as suas criadas e elas puxarem as cordas que faziam os sinos tocarem.

“Quando uma mulher estava prestes a dar a luz vinha alguém a comunicar e tocar o sino pequenino. Pensa-se que era para pedir as orações das pessoas”, disse o pároco.

“Tocar a funerais eram duas pessoas a bamboar o sino grande e o pequeno, já nos batizados, quando se tocava remate para chamar as pessoas, era só um. Agora, isto ainda se mantém mas é tudo automatizado”, contou.

Mas com ou sem badalo, os sinos continuam a tocar e a gerar significações, assim como as pessoas que, na noite de 31 de dezembro, fazem questão de contar as doze badaladas mesmo sem ouvir a sonoridade dos sinos: “Três, dois, um… Feliz Ano Novo”.

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