De Bagagem pelo Mundo: Flávio Nunes faz voluntariado e foi reconhecido pelo seu trabalho na Letónia

De Bagagem pelo Mundo: Flávio Nunes faz voluntariado e foi reconhecido pelo seu trabalho na Letónia

A terminar o mestrado, Flávio Nunes necessitava de tranquilidade para conseguir concluir a sua tese. Decidiu escolher um local e, por isso, passava a maioria dos seus dias na Casa da Juventude de Amarante.

Ainda durante os dias calorosos do verão de 2014, o jovem ouviu uma conversa na mesa do lado, em que uns colegas falavam sobre a possibilidade de fazer voluntariado Europeu, na Letónia, durante um período de 10 meses. A conversa despertou-lhe a atenção e, muito embora ouvir a conversa dos outros não seja um prática recorrente de Flávio Nunes, diz, o certo o tema daquela conversa o obrigou a fazê-lo.

Durante a conversa paralela à mesa onde Flávio lia artigos científicos para o corpo da sua tese de mestrado, apercebeu-se de que o voluntariado num centro de reabilitação seria financiado pela Comissão Europeia.

A oportunidade surgiu através da Casa da Juventude de Amarante que recebe voluntários de toda a Europa, mas também envia voluntários portugueses para participarem em projetos um pouco por toda a Europa. Como em Portugal arranjar trabalho “não estava tarefa fácil”, arriscou.

Aquela conversa que ouviu mudou a vida de Flávio Nunes que, agora com 27 anos, já se encontra na Letónia há quatro anos. Findos os 10 meses de voluntariado, o jovem de Amarante recebeu uma proposta, por parte da diretora do centro de reabilitação para ficar a trabalhar no local.

Mudar de país não era um problema. “Mais de cinquenta por cento” da sua família encontra-se emigrada em países como a Suíça, França e Bélgica. A cultura de emigração facilitou-lhe a decisão de também Flávio Nunes viajar à procura de novos conhecimentos.

O desempenho valeu-lhe o reconhecimento pelo ministério do Bem-Estar

Hoje olha para trás e diz: “ainda bem que fiz isto”. Até porque, recentemente, Flávio Nunes foi reconhecido pelo Ministério do Bem-Estar, na Letónia. “Todos os anos, este ministério elege três pessoas que se destacaram pela sua área”, explicou. Embora já tenha recebido o prémio pela diretora do local onde trabalha, o certo é que aguarda com entusiasmo a chegada do dia 30 de dezembro, dia em que vai receber o diploma de reconhecimento pelo trabalho desenvolvido por Flávio em 2018, numa cerimónia organizada pelo Ministério do Bem-Estar, na capital Letã, em Riga.

Flávio Nunes trabalha num dos maiores centros de reabilitação da Letónia, onde vivem cerca de 200 utentes com problemas físicos e psicológicos. O seu trabalho passa por trabalhar as competências psicomotoras dos utentes. De acordo com a avaliação psicomotora, efetuada com cada utente, elabora sessões individuais ou em grupo.

“Acima de tudo, o meu objetivo, como de todos os outros profissionais que trabalham neste centro, é contribuir com o nosso trabalho para o bem-estar e o aumento da qualidade de vida de todos os utentes que aqui vivem”, constatou.

A tempestade interior acalmou com o deslumbrar da natureza

Em jeito de balanço, agora que está prestes a terminar mais um ano, Flávio Nunes salienta que “a mudança nunca é fácil”. Há quatro anos, deixou para trás os amigos e a sua família mais próxima, como o pai e a mãe. As saudades cruzavam-se com uma cultura e clima diferente que, todos os fatores juntos, manifestavam-se uma tempestade interior.

“A primeira impressão com que fiquei é que a Letónia é um País muito calmo, cerca de dois milhões de habitantes e a maioria vive na capital, Riga”, explicou. Mas a natureza do país trouxe acalmia ao seu estado de espírito pois, segundo Flávio Nunes, a natureza é o ex libris da Letónia.

“Existem florestas imensas de uma beleza magnífica, e muito do turismo está direcionado para aquilo que a natureza Letã tem para oferecer”

Mas antes de pisar o solo da Letónia, Flávio Nunes viu-se confrontado com comentários de familiares e amigos negativos face ao país, com o objetivo de o alertarem de que iria viajar para um país “problemático do leste Europeu, perto da Rússia”.

“Na verdade, assim que aqui cheguei, percebi que o que me tinham dito não fazia nenhum sentido. Como a Letónia está localizada acerca de 4000 km de distância de Portugal, existe muito pouca informação acerca dos Países Báltico o que leva as pessoas a terem uma ideia que não é correta”, frisou.

Para Flávio Nunes, a Letónia é um país com uma história rica e uma cultura riquíssima, tal como descreveu em entrevista ao jornal A VERDADE.

“Foi uma experiência que me enriqueceu a todos os níveis: linguístico, porque aperfeiçoei o inglês e aprendi o Letã; conheci pessoas novas, países e outras culturas”, disse.

Afirma ainda que trabalhar na Letónia o desenvolveu em termos pessoais, tornando-o numa pessoa mais “madura” e “desenrascada”.

Viagens e atletismo pautam os tempos livres de Flávio

Questionado pela sua maior aventura desde que partiu para a Letónia, Flávio Nunes disse que as aventuras estão nas viagens e no desporto que pratica.

“Já fiz por exemplo a ligação entre a capital Letã, Riga e a capital Lituana, Vilnius, por apenas 1 euro”, contou, recordando também a sua viagem de navio entre Riga e a capital Sueca, Estocolmo. Em pleno inverno, Flávio Nunes “sentia o gelo a partir durante a travessia”.

Como pratica atletismo desde os  seu 12 anos de idade, também já teve a oportunidade de correr as três maratonas das Capitais do Báltico (Riga, Vilnius e Tallin).

“Como adoro correr, sinto falta dos treinos em Amarante com o meu grupo de treino. No entanto, mantenho-me a correr aqui e a participar em Meias Maratonas, Maratonas e, de vez em quando, em alguns Trails”, acrescentou.

O regresso a Portugal é uma meta a alcançar em breve

Não faz previsão temporal mas afirma que o seu objetivo é voltar a Portugal. Embora se afirme como um apaixonado pela natureza da Letónia, da sua capital e das pessoas, o certo é que espera que esta aventura, que já perdura há quatro anos, termine com o seu regresso às origens.

“Quando achar que a Letónia já não me está a ajudar a crescer mais profissionalmente e também como pessoa, esse será o momento para regressar”, expressou.

As passagens já estão compradas para o Natal, que passará junto da sua família, em Amarante, como forma de carregamento de baterias a fim de voltar, para já, à sua rotina na Letónia.

1 comentário

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1 Comentário

  • Miguel
    10 Dezembro, 2018, 13:43

    5*. Grande trabalho que faz na Letónia,
    Fui voluntário no ano anterior em Riga e tudo o que se diz aqui bate certo!

    Apenas um reparo. Ele aprendeu o Letão e não o Letã 😉

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