Marco de Canaveses: Vanessa Teixeira (en)canta ao lado do cantor Augusto Canário

Marco de Canaveses: Vanessa Teixeira (en)canta ao lado do cantor Augusto Canário

Vanessa Teixeira começou a cantar aos 14 anos. Apaixonada pela música popular portuguesa, começou a animar as festas de família. A sua voz encantava-os e, por isso, sempre que haviam excursões a Fátima, Vanessa Teixeira animava os populares durante a longa viagem de autocarro.

Foi assim que começou a perceber que “era a cantar que queria ganhar a vida” mas nunca imaginou que fosse tão “difícil”. Hoje, não gosta da expressão, pois considera que quem a diz “não sabe o quanto é difícil ganhar a vida a cantar”.

Aos 15 anos começou a tocar num grupo de música popular onde aprendeu também a arte de tocar concertina. Durante os seus primeiros anos como cantora de música popular, tinha como referência Augusto Canário. Vanessa Teixeira e os seus pais, sempre que podiam, estavam na primeira fila dos espetáculos a aplaudirem o trabalho do artista nacional. Mais tarde, com a sua própria atividade profissional, confessa que se foi desligando do seu ídolo.

“Sem férias, domingos ou feriados, é realmente a paixão pelo meu trabalho que me move”

Em 2014, Vanessa Teixeira recebeu uma mensagem de Augusto Canário. Foi aí que tudo mudou. “Nunca fiquei ansiosa com isso, porque achei que o convite ia ser só para participar num CD ou num concerto”, explicou Vanessa Teixeira.

Mas Augusto Canário surpreendeu-a e convidou a marcoense para integrar a sua equipa a tempo inteiro, fazendo a segunda voz da banda. “Este foi o momento que mudou a minha vida por completo”, disse.

“Só quem trabalha com ele é que pode sentir a humildade, genuinidade, companheirismo, inspiração e dedicação que dali sai. Para rematar, tenho claro, o grupo Augusto Canário & Amigos como uma família, onde partilho muito da minha vida e sou imensamente feliz”, confessou.

Aos 18 anos entrou para o grupo mas Vanessa Teixeira afirma que “não tinha noção de como entrar para a banda de Augusto Canário” ia mudar a sua vida. A maior dificuldade, revela, é a falta de tempo para a sua família.

“Temos muito trabalho e esta profissão não escolhe dias. Custa muito quando há datas especiais e está a família toda reunida e eu tenho de deixá-los para subir ao palco”, lamenta.

É nas “escadas do palco” que ficam todos os problemas e angústias de Vanessa Teixeira. “O nosso Portugal está ali para nos ouvir, para também eles esquecerem os seus problemas, e nós temos de ser capazes de lhes colocar um sorriso no rosto”, conta.

Por este motivo, Vanessa Teixeira afirma que a sua vida “não é um mar de rosas”, mas que a ajudou a crescer. “Esta vida fez-me crescer, fez-me mudar a minha forma de pensar até porque eu era uma pessoa muito explosiva e tive de aprender a ser mais ponderada”, salientou.

Lidar com pessoas de várias idades também fez Vanessa Teixeira “crescer e aprender”. A segunda voz de Augusto Canário é a pessoa mais nova que integra a equipa. Por esse motivo, teve de aprender a “ouvir, ponderar e a lidar” com a diversidade cultural de cada um.

“A música também ensina isso, para que o trabalho de todos resulte numa boa sonoridade é preciso saber ouvir os outros”, explicou.

De maio a agosto, os membros da banda lidam todos os dias uns com os outros. “Chega a um ponto que lidar sempre com as mesmas pessoas, os mesmos feitios, se torna complicado. Ao dia 15 de cada mês, já ninguém se atura”, brincou Vanessa Teixeira com a situação.

Embora admita que já pensou mudar de profissão, o certo é que Vanessa Teixeira afirmou que “essa não será uma opção” devido à sua grande paixão pela vida de música.

“O espetáculo que mais me marcou foi nas Festas do Marco, foi uma grande ansiedade e uma grande surpresa”

Mas não mudar de profissão deve-se também aos grandes momentos de emoção que já passou enquanto cantava ao lado de Augusto Canário.

De todas as experiências profissionais em termos nacionais e internacionais, foi este ano que Vanessa Teixeira fez “o melhor concerto de sempre”.

“Já tinha estado a atuar nos arredores do Marco, mas nunca nas Festas do Marco, na minha cidade”, esclareceu. Quando soube que ia cantar para as pessoas da sua terra, ficou entusiasmada, mas ao mesmo tempo “muito nervosa”. O facto de saber que iam estar os seus pais e demais familiares a verem-na cantar, assim como pessoas que a conheciam “desde pequenina”, causou “pressão e ansiedade” em Vanessa Teixeira.

 “Eu estava a tremer imenso, acho que nunca demorei tanto tempo para subir as escadas do palco. Normalmente a sensação de nervosismo fica-se pelas escadas mas, nas Festas do Marco, durou mais de meia hora”, confessou.

Embora os portugueses “não valorizem tanto o trabalho dos cantores populares porque têm festas gratuitas em todas as terras”, o certo é Vanessa Teixeira afirmou que o melhor espetáculo que fez na sua vida foi mesmo nas Festas do Marco.

Augusto Canário já levou Vanessa Ferreira aos EUA e até à África do Sul

Há quatro anos que ingressou na banda de Augusto Canário e, desde então, Vanessa Teixeira não parou de percorrer o mundo a cantar. “Já fui a vários países aos EUA, ao Brasil, a África do Sul, Canadá, Califórnia e até à Argentina”, contou, acrescentando que “em todos estes locais” trouxe sempre “pessoas que ficam para a vida”.

O que mais me marcou, em termos internacionais, foi a viagem a África do Sul, pelo calor das pessoas, pela cultura que é muito diferente da nossa e pela genuinidade daquela comunidade”, salientou. De lá trouxe amigos que afirma manter contacto até hoje.

 “Tento nunca me desligar das amizades que faço nos outros países, porque são pessoas que dão um valor acrescido ao nosso trabalho, é muito diferente dos espetáculos que faço em Portugal”, frisou.

Vanessa Teixeira disse que já se emocionou várias vezes em palco nas tour internacionais. “Subir as escadas e entrar em palco lá fora é incrível. Começo sempre as minhas desgarradas a interpolar ‘boa noite meu Portugal’. As pessoas choram, sorriem, sentes que é a melhor coisa que lhes podes dizer: O meu Portugal”, disse a jovem cantora.

As saudades das comunidades portuguesas do seu país de origem faz com que recebam a equipa de Augusto Canário de “forma especial, mais intensa”, descreve a cantora.

“Na Argentina, por exemplo, cada dia éramos recebidos com surpresas diferentes, com banquetes, com presentes, com aplausos, era um calor inexplicável. Foi tão bom que viemos embora de lá a chorar“, relembrou Vanessa Teixeira.

Ao olhar para um dos quadros que tem na parede do seu quarto, a marcoense sentiu saudades do “Papi Francisco”, uma das pessoas “mais amorosas que acompanhou a viagem à Argentina”.

“De todas as viagens, nunca tivemos alguém que nos marcasse tanto, no dia em que viemos embora foi muito complicado, chorei baba e ranho”, conta com um tom de saudade marcado na sua voz.

Quando chegou a África do Sul, Vanessa Teixeira estava doente. Num dos convívios com a comunidade, os populares perguntaram-lhe se estava bem. A resposta negativa moveu a comunidade. “No dia seguinte o Augusto ligou-me para descer do quarto do hotel e ir tomar a medicação, tinham sido os senhores da festa que tínhamos estado que tinham falado com uns médicos e me arranjaram medicação”, contou, afirmando que ficou sempre “com um enorme sentimento de gratidão para com aquelas pessoas”.

Deixar a música está fora dos planos

A experiência em África do Sul é um das que espera repetir ao longo da sua carreira. Vanessa Teixeira já não se imagina “sem esta adrenalina diária” e, por isso, confessa que vai continuar a “levar a vida a cantar” e emocionar-se sempre que entrar em palco “gritando Boa Noite, meu Portugal”.

Em jeito de conclusão, Vanessa Teixeira deixou uma promessa ao povo marcoense: “Nunca esquecerei as minhas raízes”.

É ao lado das suas raízes que este ano vai passar o Natal e o Ano Novo, a fim de “recuperar energias” para iniciar os ensaios do novo ano que se avizinha.

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