Opinião: Quem são os Técnicos Superiores de Diagnóstico e Terapêutica e sua importância no SNS ?

Opinião: Quem são os Técnicos Superiores de Diagnóstico e Terapêutica e sua importância no SNS ?

Os Técnicos Superiores de Diagnóstico e Terapêutica (TSDT) já existem profissionalmente desde 1977, ou seja, há 41 anos. Inicialmente designados como Técnicos Auxiliares dos Serviços Complementares de Diagnóstico e Terapêutica, a sua designação foi sofrendo alterações: a partir de 1985 passou a chamar-se Técnicos de Diagnóstico e Terapêutica e desde, 2017 como TSDT, fazendo parte dos corpos especiais do Ministério da Saúde.

Os TSDT são profissionais altamente especializados e diferenciados, cuja carreira integra várias profissões (19 áreas profissionais), tendo como objetivo a promoção da saúde, a prevenção, o diagnóstico, o tratamento, a reabilitação e a reinserção dos pacientes.

Estes profissionais utilizam equipamentos médicos tecnologicamente avançados, de última geração, que permitem a realização dos meios complementares de diagnóstico e terapêutica (MCDT).

No Centro Hospitalar Tâmega e Sousa, EPE (CHTS) os TSDT são responsáveis diretos ou participam na realização em média de aproximadamente 224.000 MCDT’s/mês. O total de MCDT’s realizados é o indicador por excelência para quantificar o trabalho realizado pelos TSDT, demonstrando assim a sua importância na prestação de cuidados de saúde.

Na saúde, o contrato-programa entre a tutela e as instituições públicas prevê apenas o financiamento pelas consultas médicas e cirurgias realizadas, não havendo qualquer pagamento/reconhecimento quanto ao número de MCDT’s realizados na instituição. É urgente rever o atual modelo de contrato-programa, passando a incluir os MCDT’s realizados, pois em 99% das consultas médicas são requisitados MCDT’s e as cirurgias não se podem realizar sem MCDT’s. A inclusão no contrato-programa do número de MCDT’s realizados permite valorizar o trabalho qualificado dos TSDT e demonstrar as necessidades de contratação de TSDT para reforçar as equipas existentes.

Segundo estimativas do governo, existirão 8592 TSDT no Serviço Nacional de Saúde (SNS) até Dezembro de 2018, o que corresponde a 8,6 TSDT por 1000 habitantes – número manifestamente insuficiente para fazer face às necessidades, cada vez maiores, da população Portuguesa.

Presentemente, grande parte dos TSDT já possui formação académica ao nível do Mestrado e Doutoramento, nomeadamente na área da Gestão e Administração de Unidades de Saúde, entre outras. Por isso, é necessário que a tutela reconheça igualmente as competências dos TSDT na gestão de Unidades de Saúde, passando a incluir o TSDT Diretor nos órgãos executivos dos Conselhos de Administração das instituições do SNS, permitindo assim uma participação ativa dos TSDT na decisão e definição de políticas de saúde adequadas às exigências atuais, que as boas práticas de gestão recomendam.

Para concluir, os TSDT, quer na prestação de cuidados de saúde de excelência aos utentes, de forma isolada ou como parte de uma equipa multidisciplinar, quer na gestão de Unidades de Saúde, são elementos fundamentais para que o SNS cresça de forma sustentada e com “saúde”.

O papel dos TSDT

O seu trabalho é feito nas áreas da prestação de cuidados de saúde, nomeadamente, na área hospitalar, na saúde pública, nos cuidados de saúde primários, nos continuados e paliativos, na docência e investigação.

Numa organização privada ou estatal, são os TSDT que realizam grande parte dos MCDT. Por exemplo, ao nível dos exames de diagnóstico são eles quem realizam as análises ao sangue/urina, eletrocardiogramas, ecocardiogramas, provas de esforço, espirometrias, estudo do sono, exames oftalmológicos, entre muitos outros.

Nas farmácias hospitalares são os TSDT de Farmácia que procedem à preparação de manipulados, à reembalagem e distribuição da medicação unidose. O TSDT Dietista desenvolve a sua ação na área clínica e da saúde pública através da realização de consultas de dietética, nutrição comunitária, gestão e controlo da qualidade; ainda numa instituição hospitalar realiza consultas no internamento e na consulta externa, elabora as ementas das refeições, controla todo o processo da confecção, empratamento e distribuição das refeições, atestando a qualidade e higiene.

*Autor do texto: Mário Pires é TSDT, membro do Departamento de Ambulatório e Ligação Funcional

Deixar um comentário

O seu e-mail não será publicado. Campos obrigatórios marcados com um *

Cancelar resposta

Apoie o jornalismo de qualidade.
Faça uma doação para este projeto.