De Boa Saúde – “Atchim”! Ou o fruto da época – Parte II

De Boa Saúde – “Atchim”! Ou o fruto da época – Parte II

Se dúvidas houvesse de que estamos no outono, rapidamente elas seriam desfeitas pelo cobertor extra que teve que acrescentar à sua cama ou mesmo pelo cheirinho a castanhas assadas que já sente quando caminha pela rua. Há quem diga, porém, que “com este tempo já cheira é a constipação”! Entende-se. E na semana passada já falamos um pouco sobre isso. Mas hoje vamos concluir este assunto: de seguida, desfazemos um categórico mito e falamos da importância da prevenção. Ora leia.

QUEM ANDA AO FRIO, CONSTIPA-SE?

É comum ouvirmos que “apanhou frio nas costas, claro que se constipou” ou então que “apanhou gripe porque andou com os pés descalços no chão frio”, todavia, a relação entre frio e infeção respiratória, apesar de existir, não é assim tão linear. E este é um mito que importa desfazer!
Em boa verdade, o frio não causa infeções respiratórias. O que acontece é que ele cria condições que amplificam a probabilidade de transmissão dos vírus e a suscetibilidade do nosso sistema imunitário aos mesmos e, por isso, aumenta o risco de adquirir a doença. Se pensar bem, em tempos de frio, mais do que noutras alturas do ano, há uma maior aglomeração de pessoas em ambientes fechados e mal ventilados e onde, inevitavelmente, elas vão tossir, espirrar e falar muito mais perto umas das outras, daí a relação, uma vez que as gotículas de saliva são o principal meio de transmissão destes agentes infeciosos.
Assim sendo, ajustemos, então, o título desta secção: “quem anda ao frio, tem mais probabilidade de uma infeção respiratória”, contudo, e independentemente do ambiente externo, se tiver contacto com o vírus causador e se o seu sistema imunitário, por algum motivo, estiver suscetível, há possibilidade de que a doença aconteça.

UM FRUTO DA ÉPOCA A EVITAR

Apesar de, na maioria dos casos, curar espontaneamente, a gripe não deve ser desvalorizada, sobretudo nos grupos considerados prioritários, nomeadamente, pessoas com idade igual ou superior a 65 anos, doentes crónicos ou imunodeprimidos com 6 ou mais meses de idade, grávidas, profissionais de saúde e outros prestadores de cuidados.
Habitualmente apelidada de “fruto da época” nestes meses, a gripe não é, de todo, um equivalente ao melão no verão e não está, obviamente, “recomendada”. Por isso, é essencial que se previna dela. A começar com uma boa e frequente higienização das mãos, passando pelas medidas de etiqueta respiratória, sem esquecer, claro, a vacinação.

A vacina contra a gripe é uma excelente arma preventiva que não deve deixar de considerar, uma vez que reduz efetivamente as complicações e a mortalidade associadas à doença. Para além disso, ela é segura, eficaz e não, não provoca gripe, até porque – importa que se ressalve – não contém vírus vivos! No entanto, se é certo que em cada época não há só um fruto, nisto das infeções respiratórias acontece o mesmo: pessoas vacinadas contra a gripe podem contrair outras infeções víricas que ocorram durante a mesma época, mas isso em nada põe em causa a eficácia e o propósito da vacina.

Sobre este assunto gostava ainda de lhe deixar três informações relevantes:
– Na Norma n.o 018/2018 de 03/10/2018 da DGS poderá encontrar quais os grupos que beneficiam de vacina gratuita (para além dos grupos prioritários);
– Deve vacinar-se o quanto antes, preferencialmente antes da segunda quinzena de dezembro (período habitual da epidemia da gripe em Portugal);
– Esta é uma vacina que deve ser feita todos os anos, uma vez que as estirpes do vírus causadoras de doença vão mudando de ano para ano, pelo que a vacina vai sendo sempre ajustada.

Permita-me que termine com uma rima:
Com a temperatura a descer e tantos vírus pelo ar,
não se esqueça de se proteger e, acima de tudo, de se informar.

Volto a escrever-lhe em breve e espero encontrá-lo/a de boa saúde. Até lá.

Dr. Francisco Santos Coelho

Médico Interno do Ano Comum

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