De Boa Saúde: Atchim! ou o fruto da época (Parte 1)

De Boa Saúde: Atchim! ou o fruto da época (Parte 1)

Estamos em novembro. Os dias estão definitivamente mais curtos, as noites mais frias e o chão repleto de folhas multicor que se desprendem das árvores bem ao jeito do já instalado outono. Ora, a chegada desta estação do ano traz consigo algumas particularidades, nomeadamente no que aos cuidados de saúde diz respeito. Falamos, por exemplo, da maior disponibilidade por parte da população para a prevenção das tão indesejadas infeções respiratórias. É nesse sentido – e aproveitando que o período de vacinação contra a gripe já começou há cerca de um mês – que deve ter em conta algumas informações. 

CHAMAR AS INFEÇÕES PELOS NOMES 

Disse acima que as infeções respiratórias são indesejadas. Mas não só. São também confusas. Gripe, constipação, “virose”, …, são tantas as designações que se ouvem corriqueira e frequentemente que, em boa verdade, muitas vezes surge a dúvida se são a mesma coisa ou coisas diferentes. 

Em primeiro lugar, saiba que “infeção respiratória” é a designação geral que damos à afeção do sistema respiratório por um qualquer agente infecioso, seja ele um vírus, uma bactéria ou outro. De facto, a gripe é uma dessas infeções, talvez a mais conhecida, mas não a única. Por exemplo, as vulgares constipações (também chamadas de resfriados comuns) são infeções localizadas especificamente às vias aéreas superiores – nariz e seios perinasais, faringe e laringe. As pneumonias, pelo contrário, são o exemplo mais temido de infeções respiratórias localizadas às vias aéreas inferiores (nomeadamente, aos alvéolos pulmonares). Depois, e consoante a estrutura anatómica atingida, a doença pode ainda ser designada pela “-ite” correspondente: se afeta os bronquíolos é uma bronquiolite, se afeta a faringe chamamo-la de faringite, e por aí em diante. 

CADA MALEITA NO SEU GALHO 

Cerca de 75% das infeções respiratórias agudas são causadas por vírus (e, por isso, à partida, não carecem de tratamento com antibiótico – uma vez que este tem ação antibacteriana e não antivírica) e, na maioria das vezes, são quadros benignos, autolimitados e que se restringem às vias respiratórias. Segundo alguns estudos, já foram identificadas mais de duas centenas de vírus diferentes que podem afetar o sistema respiratório, no entanto, em algumas situações o agente causador pode ser outro – por exemplo, uma bactéria – e isso, claro, muda a abordagem e os cuidados a ter. 

De forma prática, saiba que as constipações são normalmente causadas por vírus das famílias dos rinovírus e dos coronavírus, ao passo que a gripe tem etiologia no vírus influenza, que é de uma família diferente. Por outro lado, as manifestações clínicas destas duas doenças também apresentam algumas diferenças: os sintomas e sinais da constipação são limitados às vias aéreas superiores (nariz entupido, espirros, olhos húmidos, irritação da garganta, dor de cabeça, …) e raramente ocorre febre alta ou dores no corpo, ao contrário do que acontece na gripe, em que estes dois achados são frequentes; para além disso, a constipação surge de forma mais ou menos gradual, enquanto que a gripe tem um início, geralmente, de instalação súbita. São doenças realmente diferentes. 

Na próxima semana, volto a escrever-lhe sobre este assunto. Afinal, que relação existe entre o frio e as infeções respiratórias? E a gripe, será que deve ser encarada levianamente como “um fruto da época”? 

Conto consigo. E espero encontrá-lo/a “De boa saúde”. Até lá. 

Dr. Francisco Santos Coelho 
Médico Interno do Ano Comum 

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