Dia Mundial da Diabetes: O testemunho de uma mãe que convive com a doença há oito anos

Dia Mundial da Diabetes: O testemunho de uma mãe que convive com a doença há oito anos

O Dia Mundial da Diabetes assinala-se esta quarta-feira, dia 14 de novembro.

Este dia foi criado em 1991 pela International Diabetes Federation (Federação Internacional da Diabetes) e pela Organização Mundial da Saúde, e tem como objetivo dar resposta ao aumento “alarmante de casos de diabetes no mundo”. O tema deste ano é :“A Diabetes também afeta as famílias”.

No seguimento deste tema fomos procurar o testemunho de alguém que vive diariamente com a diabetes tipo 1, uma doença auto imune, onde o próprio organismo mata as células que produzem insulina. Esta é uma doença que não tem prevenção nem cura.

Cristina Mendes é mãe de Inácio, um menino que descobriu esta condição apenas com quatro anos de idade. “Descobrimos no dia 20 de outubro de 2010. Um dia, no infantário, decidiram fiscalizá-lo e perceberam que, durante uma tarde, ele tinha ido 20 vezes à casa de banho e 20 vezes fez chichi. Foi o alerta. Marquei consulta no pediatra e foi direto para o Hospital de Penafiel com o valor de glicemia de 580, e lá ficamos, mãe e filho cinco dias. Para aprendermos a lidar com tudo”, revelou.

Questionada de como é o dia-a-dia de uma criança com diabetes, esta mãe garante: “não é fácil”. “Tive de encontrar uma linguagem que ele percebesse e que aceitasse todas as mudanças que ia estar sujeito daí para a frente”, explicou.

“Eu disse-lhe: Sabes Inácio, tu tens bichinhos dentro da tua barriga que sempre que comes determinadas coisas esses bichos ficam com super poderes e fazem-te mal, por isso tens de ter cuidado com alguma coisa e fazer sempre umas piquinhas”, confidenciou ao Jornal A VERDADE.

De acordo com Cristina Mendes, o dia-a-dia do Inácio “é cheio de picas nos dedos para controlar o valor da glicemia (açúcar no sangue). O valor da glicemia vai ser tido em conta juntamente com a quantidade de hidratos de carbono que vai comer, com umas contas que fazemos encontra-se o valor de insulina a administrar”.

O jovem Inácio, neste momento, já não precisa de se injetar para receber insulina. “Neste momento o meu filho tem uma bomba difusora de insulina, que depois de ele lhe introduzir os dados ela vai enviar a insulina, através de um cateter que lhe está aplicado no corpo”, referiu.

No que respeita aos cuidados com a doença, Cristina Mendes destaca a importância de “ter tudo muito controlado”. “É uma doença em que tudo influência. Mudanças glicémicas podem ocorrer por uma variação de humor, episódios tristes ou alegres, aborrecimentos, tensão, ansiedade. Uma simples prova na escola pode dar origem a picos de glicemia e todos esses sentimentos e situações stressantes deverão ser encarados pelo meu filho para que ocorra o seu crescimento como pessoa. Na diabetes tipo 1 não é tomar um remédio a horas e tudo correrá bem, não é de todo”, frisou.

Segundo esta mãe, o Inácio “já não se lembra como era a sua vida sem a diabetes tipo 1”, acabando por ser uma rotina. “Ele vai aceitando, adora comer, mas se o prato for cheio em que metade são salada ou legumes, ele não reclama. Essa parte vai estando controlada, as emoções é que são mais difíceis de controlar. Vai ajudando a paixão que tem pelo hóquei em patins. Durante um jogo ou treino deve estar muito atento aos sintomas pois pode acontecer uma baixa de açúcar que o faça desmaiar e com o esforço físico é muito natural acontecer”, sustentou.

Cristina Mendes afirma que, quando há o diagnóstico da diabetes tipo 1, tudo muda na sua vida. “Os dias e as noites nunca mais são iguais. Se está na escola o telemóvel nunca pode estar longe. Se está junto de nós temos que o ter sempre debaixo do nosso campo de visão. Depressa os valores sobem muito ou baixam muito”, disse.

De acordo com esta mãe o contacto frequente com famílias na mesma situação tem uma grande importância. “Trocamos muitas ideias. Os médicos e enfermeiros ensinam e dão concelhos mas não vivem com os doentes. Vivemos dia e noite com a dor da doença, por isso temos uma experiência que podemos partilhar. Por vezes, até um lamento entre quem efetivamente sabe do que estamos a falar, já nos sabe bem e ficamos mais confortados. Nunca sabemos tudo mas falar uns com os outros é muito bom. Eu sempre digo no que eu poder ajudar abusem de mim, não sei muito mas já passei por muito. Estamos unidos pelos nossos docinhos”, assegurou.

Como mãe, Cristina Mendes aconselha, a quem está a passar pelo que ela já passou, a ter “muita calma”. “Temos que transmitir segurança aos nossos filhos. Não os podemos vitimizar, temos que mostrar que eles não possuem uma doença incapacitante e que ela não os impedirá de realizar os seus sonhos”, realçou.

“Todos nós nascemos com uma missão, a nossa é a de sermos vitoriosos neste desafio doce que a vida nos deu”, concluiu.

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