Empresa Hélio & Monteiro: ‘No setor da pedra será sempre preciso mão humana’

Empresa Hélio & Monteiro: ‘No setor da pedra será sempre preciso mão humana’

Hélio Rocha nasceu no seio de uma família ligada à pedra. Ainda andava na escola e já ganhava 25 tostões a levar os almoços aos empregados das pedreiras. “Por vezes ficava ali à espera que terminassem de comer, e eu cheio de fome” avança Hélio Rocha que hoje tem uma das grandes empresas de Alpendorada. Aos 13 anos, depois de terminar o exame da quarta classe, José Monteiro, sócio na altura da Sociedade das Pedreiras do Marco, que o tinha ido levar ao exame de admissão, contratou-o para a empresa. Foi lá que aprendeu a arte de pedreiro. Mas queria mais para ele e para a família que foi construindo. Após uma pequena passagem pela Arábia, regressa a Alpendorada para fazer a sua própria empresa – Hélio & Monteiro. Foi há 41 anos que começou por trabalhar na venda de “meio fio” para o mercado nacional quando ainda tudo era feito de forma manual. E assim foi durante muitos anos, a servirem os clientes para obras públicas, pavimentações e cantarias. Começou a empresa com 3 pessoas, hoje são 30 no total.

As primeiras máquinas de serra só chegaram em 2000, mas na década de 90 chegaram as primeiras que ainda funcionavam “metade manual, metade mecânica”, garante Hélio Rocha que na altura investiu logo em duas máquinas.

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O mercado era incerto, e se havia alturas em que podiam utilizar as máquinas, outros eram os tempos que tinha “de guardar as máquinas para amparar o trabalho com os homens de forma manual”, afirma o empresário que diz que as novas tecnologias vieram ajudar muito a expandir o negócio.

Quando o mercado o exigiu, para dar resposta aos clientes nacionais, fins da década de 90 e anos 2000, Hélio Rocha apostou na transformação, nomeadamente, para cubos, guias e demais acabamentos do granito, e ainda viu a oportunidade de investir na extração comprando, em sociedade, uma pedreira em Mondim de Bastos.

Atualmente operam nos três setores, isto é, na extração, transformação e exportação de granito da marca Granito de Alpendorada. Cerca de 80% do trabalho é para exportação que surgiu, também, após a crise de 2008. Hélio Rocha, tal como outros empresários locais, aproveitou as feiras internacionais para conquistar mercado, e hoje a Hélio & Monteiro trabalha para a Europa, com maior incidência em França, Espanha, Alemanha e Irlanda. Este segmento fez a empresa crescer nos últimos anos e o volume de faturação está no milhão e meio de euros.

Para Hélio Rocha o mercado da pedra tem ainda “muito para crescer” e é preciso continuar “a investir na tecnologia para podermos acompanhar os concorrentes e as exigências dos clientes internacionais”, garante. “Ser pedreiro hoje é igual, embora haja maquinaria, a mão humana vai ser sempre precisa”, conclui o empresário que acompanhou a evolução deste setor.

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Confrade desde a primeira hora, da Confraria do Granito, é dos empresários que mais apoia a realização da Bienal da Pedra. Hélio Rocha considera que mais do que vender “é preciso pensar na Bienal como uma afirmação do setor na região, no país e no mundo”. “Estivemos em Itália e éramos apontados como «Portugal», o que nos deve orgulhar. Somos uma bandeira nacional”, afirma orgulhosamente o empresário.

A empresa Hélio & Monteiro vai estar na sexta edição da Bienal da Pedra como sempre aconteceu desde a primeira edição, levando o melhor da cantaria feito também pelas mãos do empresário.

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