Castelo de Paiva: Fábrica de cara-lavada retoma a esperança um ano depois do incêndio

Castelo de Paiva: Fábrica de cara-lavada retoma a esperança um ano depois do incêndio

Quinze de outubro de 2017. Foi há um ano que o fogo desolou a região de Castelo de Paiva. A angústia passou a ser o sentimento quotidiano de muitos habitantes, principalmente daqueles que perderam as suas casas e ficaram sem o seu local de trabalho.

Esta segunda-feira, 15 de outubro, o negro que cobria os corações das pessoas de Castelo de Paiva mudou de cor. Cerca de 30 funcionárias regressaram às antigas instalações da fábrica que ardeu para iniciarem uma nova fase de vida. Agora, já não  se chama “OQ- Indústria de Calçado”, mas sim “Arda- Indústrias e calçado”. As instalações estão diferentes, com várias linhas de produção, mas as mãos de quem ali vai laborar são as mesmas que confecionavam o calçado antes do incêndio de outubro de 2017 em Castelo de Paiva.

Divorciada e mãe de dois filhos, Patrícia Rocha conta emocionada o caminho duro que percorreu durante mais de 360 dias para conseguir sobreviver sem o seu salário. Foi com “as ajudas daqueles que sempre estão lá prontos para nos estender as mãos” que conseguiu sustentar a sua casa e colocar comida na mesa, todos os dias, aos seus filhos.

Mas ainda nem todos regressaram ao trabalho na fábrica que reabriu na Raiva, pelas mãos do investidor Reinaldo Teixeira, empresário de Felgueiras do setor do calçado. Patrícia Rocha, desesperada por viver “com tão pouco” suplicou por um trabalho “ao doutor Teixeira, para fazer qualquer coisa, até limpar o chão”, e o investidor aceitou.

Nem a mudança do setor fez com que o sorriso desta trabalhadora mudasse aquando a reabertura da fábrica. “É só olhar para o meu rosto e para o de todas as minhas colegas. Estou cá e com muito mais vontade”, salientou.

A realidade de Patrícia Teixeira assemelha-se a tantas outras operárias. “Vi tudo a arder naquela noite ao meu redor, não perdi a minha casa mas pensava que não ia perder o meu emprego também”, disse Carla Almeida. Mas enganou-se. As chamas levaram-lhe o ganha-pão. Embora viva em casa dos pais, admite que nem assim foi fácil “fazer a vida normalmente”.

“Estive um ano desempregada e bastante tempo sem saber o que ia ser o nosso futuro porque a OQ simplesmente mandou as cartas de despedimento e nós ficamos sem trabalho. Eis que chegou o senhor Teixeira e tomou conta disto e hoje temos de novo o nosso local de trabalho, e com melhores condições”, conta com um sorriso no rosto Carla Almeida.

Após um ano, a  entrada no remodelado pavilhão deixa Carla Almeida “sem palavras, já que isto é a realização de um sonho”. Espera-se que nas próximas semanas as restantes funcionárias entrem ao serviço e, assim, mais sorrisos surjam numa época em que o verde já cobre as paisagens que da fábrica “Arda” se avistam.

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