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Baião: ‘Virar a Mesa do Avesso’ transformou dois escritores em cozinheiros

Baião: ‘Virar a Mesa do Avesso’ transformou dois escritores em cozinheiros

 

O Restaurante Tormes, na Fundação Eça de Queiroz, em Baião, foi palco, nas noites de 29 e 30 de junho, da 2ª edição da iniciativa ‘Virar a Mesa do Avesso’, que transformou dois escritores em cozinheiros, por uma noite.

Durante os dois dias a gastronomia andou “de mãos dadas” com a literatura, inspirando tertúlias livres e recheadas de memórias. A ideia partiu do jornalista Fernando Alves que desafiou os homens de letras, Duarte Belo e Paulo Moreiras, a arregaçarem as mangas e a meterem “as mãos na massa”.

Duarte Belo foi o primeiro a cozinhar, trazendo uma homenagem ao pão na gastronomia mediterrânica até à mesa do Restaurante de Tormes. O escritor, que teve ajuda dos chef’s baionenses António Pinto e António Queiroz Pinto, apresentou uma ementa onde o pão foi o destaque, desde os aperitivos à sobremesa.

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Ao som das vozes de Ana Flor e Ana Isabel, artistas da região, acompanhadas pela guitarra clássica, o escritor apresenou um gaspacho em croutons, uma sopa típica do Alentejo, precedida de uma inspiração francesa de nome terrina em crouton, uma mistura de carnes à base de fígado, cozidas dentro de um pão, servidas em fatias, acompanhadas por uma salada. Seguiu-se uma açorda tradicional, com alho, cebola, calda, coentros e carapaus fritos e um cozido à portuguesa no pão, prato muito confecionado e conhecido em Santa Maria da Feira. Para a sobremesa o escritor reservou um brioche com creme fraiche, uma espécie de creme de pasteleiro com amêndoa e rum.

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António Catarino, jornalista da TSF, que todos os dias sugere na rádio um país gastronómico que vale a pena apreciar com o seu TSF à Mesa, mostrou-se “rendido ao sabor e qualidade dos pratos servidos” admitindo que “dificilmente encontrará pelo país fora uma açorda tão saborosa como aquela que foi servida durante o jantar”.

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Por sua vez, Fernando Alves, já em jeito de tertúlia, afirmou que “o segredo do evento só se consegue descobrir à mesa, sentindo-se os cheiros, as texturas, os paladares, apurando-se os sentidos”. O jornalista acredita que “não há melhor local para se colocar em prática esta mistura de literatura e gastronomia do que em Baião, terra de escritores, terra de história, de beleza natural, terra de amigos”.

No sábado, foi a vez de Paulo Moreiras que quis recordar a sua infância. O jantar incluía uma sopa de castanhas, bochechas de porco bísaro e mexidos pantomineiros, receitas que Paulo Moreiras aprendeu com a avó. Tudo, regado com o vinho verde avesso (casta especifica da sub-região de Baião), aquele que Eça dizia que caía do alto, “da bojuda infusa verde – um vinho fresco, esperto, seivoso, e tendo mais alma, entrando mais na alma, que muito poema ou livro santo”.

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Tanto num dia como no outro, Fernando Alves moderou a tertúlia, que teve comentários de António Catarino e Pedro Pinheiro e a intervenção do público.

Esta iniciativa, organizada pela Câmara Municipal de Baião e pelo Restaurante de Tormes, contou com a presença de Paulo Pereira, presidente da Câmara Municipal de Baião, de José Pinho Silva, vice-presidente da autarquia, de Anabela Cardoso, vereadora da Cultura e Turismo, de Henrique Gaspar e José Lima, vereadores do Urbanismo e Assuntos Económicos e do vereador Miguel Dinis Correia.

Paulo Pereira participou no evento nos dois dias e, no final, deixou a garantia aos presentes de que o evento irá “continuar para o ano”. O autarca agradeceu aos escritores e ao público o sucesso da iniciativa e deixou uma mensagem especial a Fernando Alvese a Pedro Pinheiro que também esteve presente nos dois dias do evento, lembrando-os que “Baião gosta de acolher bem e que o concelho estará sempre disponível para receber todos aqueles que o visitem. Esta iniciativa é um bom exemplo deste acolhimento e da vida natural que se vive em Baião”.

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Paulo Moreiras teve os seus livros à venda durante o evento

O escritor Duarte Belo publicou, entre outros, ‘A Linha do Tua’, livro que é um registo fotográfico da paisagem que a linha percorre e constrói, do quilómetro zero na foz do Tua até ao seu término em Bragança.

Paulo Moreiras, que gosta tanto de cozinhar como de escrever, tem em ‘A Demanda de D. Fuas Bragatela’ e ‘Os Dias de Saturno’ a suas principais obras literárias. O público pôde comprar as suas obras no decorrer da iniciativa e conversar com os escritores.

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