Penafiel: Casal que angariou 14,5 milhões num esquema de pirâmide vai preso

Penafiel: Casal que angariou 14,5 milhões num esquema de pirâmide vai preso

Um casal de Felgueiras passeava ao volante de carros da marca Porsche, Mercedes e Audi e vivia numa mansão com piscina. Também promovia grandes festas marcadas pelo glamour e até pagou obras na igreja de Idães.

O estilo de vida faustoso, mantido entre 2012 e 2014, convenceu familiares, amigos, conhecidos e vizinhos que os alegados negócios, feitos sob a marca AMC Invest e relacionados com minas de exploração de ouro, petróleo e investimentos na bolsa, estavam a correr bem e proporcionavam elevados lucros.

Mas tudo não passava de um estratagema para convencer 605 empresários, comerciantes ou simples operários, de Felgueiras, Lousada e Leiria, a investir um total de 14,5 milhões de euros num esquema de pirâmide, que prometia rentabilidades de 10% ao mês.

A maioria dos “investidores” perdeu o dinheiro e, na passada segunda-feira, Arménio Ferreira e Margarida Magalhães foram considerados culpados dos crimes de burla, branqueamento de capitais e recebimento indevido de depósito. Ele, considerado o mentor de toda a fraude, foi condenado a oito anos de prisão e ela a sete.

Também Delfim Magalhães e Maria Emília Ribeiro, sogros de Arménio Ferreira, foram condenados a três anos e nove meses de prisão efetiva por terem sido cúmplices dos crimes praticados pelo genro e filha. Considerou o Tribunal de Penafiel que aqueles sabiam da burla quando deram o nome para a abertura de contas bancárias, pelas quais circulava muito do dinheiro angariado.

Hugo Pinto, licenciado em gestão, diretor de várias empresas e consultor da AMC Invest, vai igualmente preso por quatro anos e nove meses. “Alguém com este currículo tinha necessariamente de saber que não havia autorização do Banco de Portugal para receber depósitos e que era impossível pagar 10% de juros mensalmente”, justificou o juiz Sandro Lopes Ferreira.

Entre os condenados estão ainda Fernando Costa Leite, Teresa Dias e João Severino. Incentivados por Arménio Ferreira, também eles criaram uma empresa para recolher 369 mil euros, dos quais pagaram 104 mil euros de juros. “O tribunal não ficou convencido que queriam ficar com o dinheiro das pessoas. Estavam convencidos que tinham um negócio que ia dar dinheiro e até tentaram reparar os danos”, alegou o magistrado. Mesmo assim, os três foram condenados a seis meses de prisão, pena substituída por multas entre os 1900 e os 2850 euros.

Casal paga 333 mil ao Estado

Arménio Ferreira e Margarida Magalhães estão obrigados a pagar ao Estado cerca de 333 mil euros. Este valor diz respeito a três carros de alta cilindrada e à moradia que o casal comprou – e vendeu já com o processo judicial a correr – com dinheiro proveniente da burla.

29 lesados recebem indemnização

Arménio e Margarida, mas também os sogros e Hugo Pinto foram condenados a pagar, de forma solidária, mais de 454 mil euros aos 29 lesados que recorreram ao tribunal para exigir a devolução do dinheiro investido. Cada um deles irá receber, ainda, 100 euros de indemnização.

 

 

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