Marcador de Livros: O Poder das Pequenas Coisas

Marcador de Livros: O Poder das Pequenas Coisas

Cada livro de Jodi Picoult e uma verdadeira surpresa. A autora norte-americana aborda, quase sempre, temas polémicos, mas sempre bem explorados e fundamentados.

E é desta forma que a autora conquista os seus leitores, tão fiéis, ao que ela escreve. É fácil gostar-se da escrita dela. Muitos podem pensar que é lamechas, que é de lágrima fácil, talvez. Mas isso acontece porque a sua escrita nos toca tão profundamente que é impossível não nos revermos em algumas situações ou até sermos transportados para a história em si.

Comigo acontece constantemente e este livro não foi excepção. Estava a lê-lo num local público e tive de disfarçar uma lágrima que teimava em sair.

Mas são esses livros que me tocam realmente e me fazem pensar na sociedade atual.

O tema do racismo é por demais falado e retratado em inúmeros livros, mas Jodi faz com que pensemos realmente nele e nas nossas acções perante tal acto. Sobretudo quando o tom da nossa pele é claro…

Como já devem ter percebido, em O Poder das pequenas coisas Picoult aborda o tema do racismo aliado à ética profissional. Ambos podem estar muito próximos e custar uma vida. E quando uma das personagens, ou melhor, uma família é supremacista branco o que poderá acontecer quando se lhes depara uma enfermeira negra?

“Houve um momento – uma batida do coração, um sopro – em que todas as diferenças de educação e dinheiro e cor de pele se evaporaram como miragens num deserto, em que toda a gente era igual, e era apenas uma mulher a ajudar a outra”

Jodi cria uma enfermeira obstinada, batalhadora e que deseja em tudo ter uma vida com os mesmos direitos de uma pessoa branca. Mas apesar de tudo o que lutou, apesar de todas as mudanças que surgiram na sua vida, ela constata que nada muda, mesmo que tenha estudado e que se tenha inserido numa sociedade maioritariamente branca. E prova que discriminação e xenofobia anda por toda a parte, mesmo por aqueles que nos são mais próximos. Adorei Ruth pela sua sinceridade, por ter os pés bem assentes na terra e pelo seu sentido de justiça.

“Os bebés são como uma tela em branco. Não vêm a este mundo com os pressupostos dos pais, nem as promessas que a sua Igreja dará, nem a capacidade de dividir as pessoas em grupos de que gostam e de que não gostam.”

Leiam por favor. É muito bom

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