Orlando de Carvalho foi homenageado em Baião

Orlando de Carvalho foi homenageado em Baião

Orlando de Carvalho, o académico de Direito de Coimbra e resistente antifascista, foi recordado em Santa Marinha do Zêzere, a sua terra natal, no dia em que faria 90 anos se fosse vivo.

Foi recordado numa sessão que contou com a presença de Helena Carvalho, sobrinha do homenageado; do presidente da Junta de Freguesia de Santa Marinha do Zêzere, António José Carvalho; do professor universitário e especialista em Criminologia, Cândido da Agra; do presidente da Assembleia Municipal de Baião e da Câmara Municipal de Baião, José Pinho Silva e Paulo Pereira; de um responsável pela Sala de Estudos e Documentação Doutor Orlando de Carvalho, José Manuel Teixeira de Sousa; e de dois professores da Escola de Criminologia da Faculdade de Direito da Universidade do Porto, Pedro Sousa e Jorge Gracia Ibáñez.

O caráter humanista e solidário do homenageado foi focado pela sua sobrinha, Helena Carvalho, para quem Orlando de Carvalho “se interessava e preocupava com as condições de vida de todas as pessoas, mesmo daquelas que não conhecia pessoalmente”. “Dentro das suas possibilidades preocupou-se sempre em dar liberdade aos outros e fê-lo através das suas intervenções cívicas, académicas e culturais”, testemunhou. A familiar exemplificou o caráter íntegro do académico através de um episódio caricato: “Da primeira vez que foi preso, Orlando de Carvalho literalmente comeu as páginas da sua agenda onde estavam presentes os contactos dos seus amigos, para que ninguém fosse incomodado pelas autoridades”.

O presidente da Junta de Freguesia, António José Carvalho, frisou a ideia de memória e da honra em homenagear uma personalidade e uma família que muito deram à freguesia. E destacou o exemplo cívico e de luta pela liberdade patenteado por Orlando de Carvalho. “Pessoas como ele permitiram que estivéssemos hoje, aqui, a debater temas como este livremente”, notou.

O professor universitário e especialista em Criminologia, Cândido da Agra – que disse sentir-se em casa em Baião –, disse que a memória é um valor fundamental.

Os presidentes da Assembleia Municipal de Baião e da Câmara Municipal de Baião, José Pinho Silva e Paulo Pereira, valorizaram o trabalho cultural, científico e cívico realizado, a título voluntário, pelos responsáveis pela Sala de Estudos e Documentação Doutor Orlando de Carvalho.

Paulo Pereira destacou na sua intervenção a personalidade rica e multifacetada de Orlando de Carvalho, que não foi só alguém do direito. “Foi alguém das letras, da intervenção cívica, da academia e da ciência, mas também da causa da liberdade”, observou.

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Em nome do SEDOC, José Manuel Teixeira de Sousa, abordou a forma como o próprio Orlando de Carvalho queria que o seu legado fosse visto. “Ele não queria ser recordado como um político no sentido partidário do termo, mas sim como um defensor das liberdades e alguém muito preocupado com o próximo. A sua segunda grande preocupação era contribuir para tornar o direito uma ciência”, recordou.

A segunda parte da sessão contou com intervenções de Cândido da Agra e de outros dois professores da Escola de Criminologia da Faculdade de Direito da Universidade do Porto, Pedro Sousa e Jorge Gracia Ibáñez.

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Baião seguiu-se a Lisboa e Porto na apresentação do Estudo “Homicídios Conjugais – Estudo Avaliativo das Decisões Judiciais”, realizado por Cândido da Agra, Pedro Sousa, Jorge Quintas e André Lamas Leite, a pedido da Comissão para a Cidadania e Igualdade de Género.

Jorge Gracia Ibáñez apresentou o estudo “Um Fenómeno oculto: os maus-tratos contra as pessoas idosas”, que caracteriza os diferentes tipos de violência exercidos contra cidadãos idosos, olhando para a forma como estas estão plasmadas na lei e definindo os vários fatores de risco apontados pela literatura especializada.

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