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Santa Saúde: Doença Bipolar, um turbilhão de emoções

Santa Saúde: Doença Bipolar, um turbilhão de emoções


A Doença Bipolar, inicialmente denominada de Psicose Maníaco–Depressiva, é uma patologia psiquiátrica com impacto significativo quer ao nível da saúde mental do indivíduo, quer da sua dinâmica familiar. De difícil diagnóstico, pois habitualmente é confundida com perturbações da personalidade, exige uma rigorosa colheita da história psiquiátrica do doente.

As oscilações de humor, quer no sentido depressivo quer eufórico, podem ter diferentes graus de intensidade e gravidade. Na atualidade, há vários autores a defender uma variedade de “bipolaridades” mais ampla que a tradicionalmente inscrita nas Classificações Internacionais de Doenças( DSMV e CID10), onde se inscreve a Perturbação Bipolar tipo 1( mais grave, incluindo necessariamente pelo menos 1 episódio maníaco no historial, além de depressão major) e a Bipolar de tipo 2( menos grave, havendo apenas registo de sintomatologia do tipo hipomaníaca e depressiva).

A estatística refere 1% de prevalência da doença (mais elevada na Perturbação de tipo 2), podendo ter o seu início durante ou após o período da adolescência, sendo que os fatores genéticos desempenham papel importante e que justifica o acompanhamento preventivo dos filhos de progenitores com a doença (33% de probabilidade de manifestação da doença, aumentando se ambos progenitores doentes).

Quais os principais sintomas a ter em conta?

Episódio maníaco: humor eufórico ou irritável, alterações emocionais súbitas, pensamento acelerado, fala muito rápida, com mudanças frequentes de assunto; Aumento de interesse em diversas atividades, despesas excessivas, ofertas exageradas; Energia excessiva, hiperatividade ininterrupta; Diminuição da necessidade de dormir; Aumento do desejo sexual, comportamento desinibido; Delírios em congruência com o humor (megalomania/influência, ou persecutório, p.ex).

Episódio hipomaníaco: sintomas menos graves e intensos do que no episódio maníaco, sem perda do contacto com a realidade e habitualmente não exigindo internamento.

Episódio depressivo major: Agitação, inquietação, perda de energia vital, cansaço, anorexia; Sentimentos de inutilidade, desespero e culpa excessiva; Pensamento lentificado; Ideias de morte e de suicídio; tentativas de suicídio; ideias estranhas (delírios) e «vozes» com conteúdo negativo e depreciativo.

Que tipo de tratamento mais indicado?

Apesar de não haver cura, o tratamento psicofarmacológico, assente em estabilizadores do humor, combinado com o apoio psicológico (individual e familiar), tem-se revelado eficaz e capaz de permitir qualidade de vida neste tipo de doentes, com regresso à sua funcionalidade habitual, entre episódios.

De acordo com o tipo de alteração do humor poderão ser necessários outros psicofármacos como antidepressivos, antipsicóticos e ansiolíticos; eventualmente, em quadros clínicos mais graves, eletroconvulsivoterapia.

A Psicoeducação sobre a Doença, quer para o próprio quer para os familiares, revela-se fundamental pois permite identificar sintomas de descompensação precocemente e, desta forma, atenuar a gravidade e impacto das crises.

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Sandra Queirós

Especialista em Psiquiatria, Consulta Externa do Hospital Santa Isabel, SCMMC

Colaboradora da Unidade de Alcoologia do Norte, Matosinhos

Assistente Hospitalar de Psiquiatria, Novo Hospital de Amarante

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