Marco de Canaveses: Vinhos da ‘Quinta da Samoça’ à conquista dos mercados estrangeiros

Marco de Canaveses: Vinhos da ‘Quinta da Samoça’ à conquista dos mercados estrangeiros

É em Ariz, na freguesia de Bem Viver, que se produzem os vinhos ‘Quinta da Samoça’ que são reconhecidos nacional e internacionalmente. O nome contempla a nomenclatura do local onde está situada.

A Quinta da Samoça começou por ser um projeto de família que começou com Manuel Coutinho e o filho António Coutinho. Inicialmente a quinta começou pelo investimento de animais de engorda. Mais tarde, fez-se a reconversão da quinta para viticultura e vinho. “Começou por um gosto pessoal do sr. Manuel Coutinho e, em pouco tempo, cresceu pela sua veia comercial e sensibilidade para o negócio”, adiantou Bianchi de Aguiar, enólogo responsável. “No fundo, há uma progressão empresarial”, constatou.

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A Quinta da Samoça nasceu há mais de 30 anos, no entanto, enquanto vertente de viticultura tem cerca de dez. Trata-se de um produto local que é comercializado nos restaurantes marcoenses, mas também no Porto e em Lisboa.

Em conversa com o Jornal A VERDADE, que teve como pano de fundo a extensa vinha da quinta, Bianchi de Aguiar explicou que todo o processo que vai desde a vinha, ao engarrafamento e rotulagem, é feito na Quinta da Samoça. O armazenamento do vinho, após a vindima, é feito em cubas refrigeradas, de forma a existir um controlo mais eficaz da temperatura de fermentação. Além disso, a maioria das cubas têm 2500 litros, pois “dá para controlar melhor em pequenas quantidades”, explicou.

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Atualmente o interesse principal está voltado a exportação. A Polónia, Bélgica e França já fazem parte dos destinos internacionais. De forma a continuar a apostar no mercado estrangeiro têm marcado presença em feiras internacionais. “Só somos conhecidos se estivermos presentes”, disse. “Numa feira é preciso saber conhecer os clientes, saber o que eles procuram”, expôs. Bianchi de Aguiar contou que, nessas feiras no estrangeiro, o vinho verde demarca-se dos restantes. “Isso tem sido uma mais-valia”, referiu.

Os vinhos contam com distinções, nomeadamente medalha de ouro e prata no Concurso de Comissão de Viticultura, entre outros reconhecimentos. “Com a alteração do perfil do vinho branco vamos apostar nos concursos com ele”, divulgou.

A Quinta da Samoça integra a Rota dos Vinhos do Marco o que para o enólogo é uma vantagem. “Não se vê nas regiões aqui à volta um apoio como este”, explicou. Marco de Canaveses, frisou, tem vindo a impor-se no mercado. “A Comissão de Viticultura já considera como parceiro estratégico a Rota dos Vinhos do Marco”, acrescentou.

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“Segredo do sucesso” é a alteração do perfil dos vinhos

A produção de vinho nesta quinta ultrapassa as cem mil garrafas. No total, a produção é feita com base nos 25 hectares que possui. A vinha conta com três segmentos: verde tinto, branco e rosé. “No fundo temos várias marcas, para vários segmentos de mercado”, realçou.

Para o enólogo o segredo do sucesso passa pela alteração do perfil dos vinhos que têm desenvolvido. “Nos últimos três anos mudamos 50% do perfil dos vinhos e conseguimos começar a entrar em novos mercados”, notou. Assim, a Quinta da Samoça dispõe os seguintes vinhos: Escolha, Avesso, Azal, Rosé, Vinhão e Vinhas d’Ariz.

No seu site podemos encontrar a ficha técnica de cada vinho, onde está explicitado o método de vinificação, o aspeto, aroma e paladar, harmonização e a temperatura indicada para o servir, onde se evidencia as principais características de cada um. O Escolha possui estrutura complexa, com uma excelente acidez crocante que completa o conjunto. Combina com peixe, carnes de ave grelhadas, comida asiática, salada fresca ou uma sobremesa. O Avesso é um vinho leve e elegante, com acidez equilibrada e a mineralidade convive bem com os aromas a frutos. É ideal para acompanhar com peixe grelhado, marisco, ou até com sushi e sashimi.

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O Azal é suave, com sensação ligeiramente açucarada. É um vinho para a estação quente e para ser acompanhado com peixe. O Rosé é frutado e fresco, com a predominância dos aromas de morango e framboesa. Tem equilíbrio entre o álcool e a acidez e harmoniza com peixe, carnes de aves grelhadas ou uma salada fresca, destacando-se numa refeição de sushi. O Vinhão possui aromas frescos e bastante frutados com uma estrutura forte, densa e concentrada. Acompanha com carnes vermelhas, enchidos e pratos típicos da gastronomia portuguesa como sarrabulho, lampreia e cabidela e ainda alguns pratos de bacalhau. O Vinhas de Ariz é frutado e fresco, com frutos citrinos evidentes e aromas suaves. Acompanha na perfeição com peixe, marisco, saladas e carnes brancas.

Enoturismo e exportação são o futuro

Nos próximos anos a perspetiva é alcançar o mercado estrangeiro, em especial os Estados Unidos da América, criando um departamento de exportação, mas também melhorar a penetração no mercado interno.

Em análise está ainda um projeto ligado ao enoturismo, de forma a valorizar e aproveitar o espaço, mas também a remodelação da adega e a criação de uma sala de provas.

“A tendência é crescer para o vinho engarrafado e diminuir o negócio das uvas”, acrescentou ainda.

Nesta perspetiva de futuro, a imagem dos rótulos foi recentemente modificada para “uma imagem mais moderna, mas sempre ligada à região e tradição”. No próximo ano espera-se já ter sido obtida a designação de produção integrada, uma vez que existe uma “utilização racional dos fitofármacos”.

Assim, nota-se uma “inequívoca” aposta na vertente turística e no desenvolvimento sustentado “que a empresa acredita ser seu desígnio promover e implementar”.

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