Vinho ‘Chapeleiro‘ quer marcar a diferença pela qualidade

“É um vinho que tem carácter, não é um vinho fácil. Tem uma boa acidez, frescura e mineral evidenciado”, é desta forma que Carlos Fernandes caracteriza o Chapeleiro, produzido em Avessadas, Marco de Canaveses. Um vinho que, apesar de caminhar para o terceiro ano de produção, já conta com alguns prémios. “Quero marcar a diferença pela qualidade. Só aí é que podemos vingar e é para aí que estou virado”, asseverou.

Carlos Fernandes divide o seu tempo entre a sua atividade profissional e a vinha, procurando acompanhar todo o processo de produção. “A paixão surgiu precisamente pelo facto de eu acompanhar desde a plantação até à colheita”, esclareceu. O marcoense conta também com a ajuda de uma equipa de enologia liderada por António Sousa. “Foi e continua a ser o braço direito do Chapeleiro. Espero que continue por muitos anos. Ele conseguiu ainda tirar melhor partido daquilo que eu lhe consigo oferecer em termos de produção”, elogiou.

O Chapeleiro já arrecadou alguns prémios, nomeadamente a medalha de ouro, no primeiro ano de produção. Foi no XIV Concurso Internacional “La Selezione Sindaco”, um concurso ainda hoje falado e comentado. “Ainda hoje surgem contactos, potenciais compradores. É um bom meio de promoção e reconhecimento da qualidade do nosso produto”, referiu o marcoense. O Chapeleiro foi também premiado em 2016 no concurso “Vinhos de Portugal 2016”. “Entre 1350 vinhos brancos ficou entre os 250 melhores”, acrescentou. Estes prémios tornam, portanto, o balanço positivo. “Para dois anos de produção não posso estar insatisfeito de forma alguma”, completou.

O produtor, apesar de ser marcoense, e o seu vinho ser produzido em terras de Cármen Miranda, não sente que este seja valorizado na sua terra. “Por parte de alguns restaurantes a abertura é nula. Porque dizem que o vinho é caro”, lamentou. “Por isso é que estou a trabalhar para encontrar um nicho de mercado fora do país”, assegurou. Porém, ainda encontra pessoas “nomeadamente na restauração que se empenham em promover e divulgar os produtos regionais”, além do vinho. Desta forma, Carlos Fernandes agradeceu àqueles que sempre o ajudaram. “Agradeço e realço de forma pública os restaurantes marcoenses com mais prestígio que me abriram as suas portas e esses são facilmente identificados, bem como, ao Sr. Francisco Pereira, do Intermarché, que desde a primeira colheita abriu as portas ao Chapeleiro”, disse. “É importante termos um vinho numa grande superfície, pois nem toda a gente vai à restauração e nem todos procuram o produtor”, acrescentou. Graças ao aumento da produção, foi possível alargar a presença do Chapeleiro no mercado para dois restaurantes no Porto e, mais recentemente, no Algarve.

Pertencer à Rota dos Vinhos do Marco tem sido uma mais-valia e procura sempre aproveitar todas as oportunidades que surgem desta parceria. Carlos Fernandes recordou a presença na Feira Nacional de Agricultura, no passado mês de maio, que “possibilitou dar prova do Chapeleiro ao Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, em representação não só do Chapeleiro, mas como também do que se produz em Marco de Canaveses”.

Uma paixão sem tradição. Tudo começou com o restauro da casa onde vive atualmente. “Era casa de caseiros do avô da minha mulher. Viemos para cá e reconstruímos a casa e gradualmente a quinta”, explicou o produtor. A vinha veio “por brincadeira”, uma vez que nunca ali tinha existido tradição. Inicialmente as uvas eram vendidas porque não existia “qualquer tipo de ambição”. Porém, Carlos Fernandes considerava que as uvas tinham qualidade e tinha “pena” de as ver ir para a adega após a vindima.

Foi assim que surgiu o vinho Chapeleiro, produzido na casa do Vilarelho, em Avessadas. A primeira produção de forma tradicional -“bica aberta”- resultou em 200 garrafas. “A acidez daquele vinho não era aquela acidez a que estávamos habituados nos vinhos verdes. Tinha um certo toque bastante aromático”, comentou. Com estes resultados Carlos Fernandes não hesitou e, no ano seguinte, registou a marca.

Mas porquê Chapeleiro? Simples. “Era o apelido do meu avô”, respondeu, um nome que “fica facilmente na memória das pessoas”.

“Quero caminhar para a produção integrada”. De forma a não interferir com o sabor do vinho Carlos Fernandes não utiliza químicos na vinha. “Não ponho uma pinga de herbicida na vinha. A limpeza é toda manual. Plantei gramíneas para darem azoto às plantas de forma natural. No fundo é pôr o ecossistema a trabalhar para a vinha”, frisou. Em mente está a implementação de uma casa para morcegos para estes “limparem os bichos que são maus para a vinha”. É com todos estes mecanismos naturais que Carlos Fernandes pretende alcançar a produção biológica. “Quero caminhar para a produção integrada”, admitiu. Na vinha predominam as castas de arinto e loureiro.

Embora considere o futuro incerto o produtor do vinho Chapeleiro tem uma certeza: “quem abrir uma garrafa de Chapeleiro sabe que pode e vai encontrar um produto vínico com qualidade”. É este o caminho que pretende seguir. No próximo ano a vinha vai ser novamente aumentada. Ficará com perto de 2,5 hectares e no futuro o objetivo será chegar às 25 / 30 mil garrafas. Desta forma, a área que circunda a casa ficará completamente rodeada pela vinha. Ainda assim, a hipótese de comprar terrenos vizinhos de forma a alargar a produção não está fora de questão.

Entretanto, o vinho Chapeleiro Branco 2015 venceu medalha de ouro na 18ª edição do Concurso de Vinhos da Rota dos Vinhos do Marco, realizado na sexta-feira, 16 de julho.

Vitor Almeida
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