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09-07-2012 - 08:33

Marco de Canaveses: Uma caminhada pela história de Ariz





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Paula Cardoso
A organização da caminhada à descoberta de Ariz, agradece a todos os que colaboraram e tornaram possível tal evento. O saldo apurado não foi suficiente para o pagamento do coro, mas foi uma boa ajuda. Obrigada a todos que participaram.

Uma caminhada pela história de Ariz

A história de Ariz foi literalmente percorrida, no passado dia 1 de julho, numa caminhada que revisitou os locais e monumentos mais emblemáticos da freguesia.

Com o lema “caminhar, conviver e celebrar”, um grupo de habitantes da terra, fez um apelo à generosidade da comunidade e pôs em prática uma iniciativa que para além, do seu aspeto cultural, tinha como objetivo principal angariar fundos, para as obras realizadas na recuperação do coro da Igreja de S. Martinho de Ariz. Foram colocados bilhetes à disposição da população que na compra, lhes era garantido a participação na caminhada e ainda, tinham direito a uma t-shirt que lhes daria livre acesso aos locais de visita e ao almoço, que se iria realizar no fim do evento.

A ideia foi lançada, o percurso foi definido, os pormenores acertados e a comunidade aderiu em peso.

Pelas 8h45, numa manhã de verão muito convidativa, uma multidão de cerca de 400 pessoas, vestindo as t-shirts que os levariam à descoberta de Ariz, reuniu-se no largo da igreja, definido como local de partida.

António Duarte, responsável pela narrativa da história de cada ponto de paragem, começou por dar a conhecer à população fatos documentados da história da freguesia e as suas raízes, que vinham desde que o território se chamava “Villa Alarizi”.

Ali, em frente à Igreja que partilha o nome com o Santo padroeiro da terra, foi feita a primeira trajetória no tempo. Mas era altura de começar a caminhada, porque afinal, ainda havia muito mais para descobrir. E entusiamo não faltava, miúdos e graúdos pareciam estar prontos para a estirada de 11 quilómetros que os aguardava.

Pelas ruas sinuosas do Monte e das Carvalhinhas, começou o percurso que os levaria até ao próximo ponto histórico, a Capela do Maio, também conhecida como Capela de Santa Eulália. Já as primeiras pessoas tinham chegado, as primeiras explicações estavam a ser dadas no local e ainda se avistava uma imensidão de gente, que se alongava pela calçada de Carrais.

Todos reunidos novamente, foi tempo de seguir até um lugar de passagem obrigatória, o Largo do Maio que no século XVIII era o centro da freguesia e que ainda hoje, é palco da tradicional Festa do Maio.

Mas se o “Maio” não era estranho para ninguém, já o mesmo não se podia dizer da próxima paragem. Apesar de ser parte integrante do segundo percurso pedestre homologado no concelho, muitas pessoas desconheciam os trilhos e o marco que divide Favões e Ariz, principalmente os mais jovens, “eu não conheço tão bem este lado da freguesia, nunca passei por aqui, nem sabia que esta pedra com toda esta história existia, ” dizia Ana Magalhães, residente na Feira Nova.

Num lugar despovoado, onde se cruzam caminhos, a pedra que se ergue na divisória das duas freguesias e que ostenta uma cruz e uma faca gravada, despertou grande curiosidade por estar envolta numa lenda que, até então, muitos não sabiam e que de imediato se apressaram a retratar o momento, para mais tarde recordar.

Já a manhã ía a meio, mas força e frescura não pareciam faltar. Os caminhantes seguiram em passos largos em direção ao atual centro da aldeia. O Corgo, ficava para atrás e já se avistava a Escola Primária, que apesar das remodelações e da modernização que foi sofrendo na sua estrutura, ao longo dos anos, não deixou de despertar boas memórias de infância a quase todos os que ali se encontravam, memórias que não se esquecem e fazem com que o olhar sobre o monumento, seja mais que um olhar sobre o património, seja o relembrar de um passado.

A partir deste passado mais recente, a comunidade foi “transportada” para numa outra era da história. O Castelo de Ariz estava pronto para acolher a visita e celebração da missa campal que ali, se iria realizar.

Situado num local com uma vista privilegiada sob o Castro de Arados, o Castelo pôde ser apreciado pela população que enquanto aguardava pelo início da celebração, lá ía procurando pelo melhor sitio para sentar-se, descansar e fugir ao calor que por esta altura, já se fazia sentir com alguma intensidade.

Para muitos, era a primeira visita, outros relembravam tempos em que em passeios de escola tiveram a possibilidade de conhecer o espaço, mas o que era comum a todos era a oportunidade de pela primeira vez, assistirem a uma celebração naquele local, onde em tempos se fez história.

O conde de Ariz foi, inevitavelmente, relembrado por António Duarte que, mais que partilhar o seu conhecimento, aproveitou para felicitar a iniciativa e incentivar a população que, segundo as suas palavras, “tem que valorizar o que Ariz tem de bom e dar valor ao seu património”.

Celebrada a missa campal, em que o Pároco da freguesia também aproveitou a ocasião para “agradecer aos proprietários do espaço onde se encontra o castelo, por permitirem a visita”, era tempo de prosseguir viagem e desta vez com a participação do Padre Carlos.

O próximo destino, era o edifício do antigo tribunal que estava a poucos metros do Castelo, mas a caminhada não se iniciou sem antes todos serem devidamente providos com água e sandes, fornecidas pela organização.

A partir daqui, começava mais uma etapa do percurso. Debaixo de um sol quente de Verão, a população passou pelo tribunal que há quase dois séculos tinha ali funções e seguiu caminho até ao Olival, onde foi visitado um fontenário nobre.

Nesta fase, eram longas as estradas para percorrer e olhando para trás, era possível avistar um “mar” de gente que ao seu ritmo, lá tentavam acompanhar os restantes participantes nesta caminhada.

Quando o relógio, pontualmente, marcava o meio-dia, um novo desvio apareceu no caminho, uma sinalização que indicava o percurso pela vegetação adentro, conduzia o povo em direção à Fraga, que foi noutros tempos um cemitério e que agora é um pequeno descampado, com um canastro, onde estavam afixadas fotografias de objetos de cerâmica que foram retirados daquelas terras.

A partir deste cenário mais mórbido da história de Ariz, seguiu-se viagem até à Vila do Monte, onde os participantes foram surpreendidos pela gentiliza de alguns residentes que quiseram presentear a passagem da “comitiva”, com um tapete de boas-vindas, feito de flores. Foi um bom incentivo, para o percurso mais duro que se avizinhava.

A Forca de Ariz era o próximo destino e o caminho até lá revelou-se o mais difícil. Uma subida íngreme e muito pó à mistura, criaram algum cansaço aos menos habituados a estas andanças. Os mais conhecedores do percurso, apesar de já saberem as dificuldades do trilho, não se fizeram de rogados e subiram ao topo do monte. Lucília Cardoso de 75 anos dizia, “eu estive cá há pouco tempo, fiz este caminho e custa um bocadinho”, mas o certo é que nada a impediu de chegar ao cimo e de mais uma vez, ver a nova Forca erguida no lugar da antiga, que não resistiu ao passar dos anos.

Feita a subida, começava o percurso inverso, encosta abaixo, para iniciar a penúltima etapa, e aqui, pela primeira vez, atravessou-se as fronteiras de Ariz. Os participantes seguiram em direção a Magrelos, para a entrada da Quinta da Samoça, onde seria feita uma visita à adega, uma prova de vinhos e ainda teriam à disposição presunto e queijo prontos para degustar.

A receber os caminhantes estava Manuel Coutinho, que fez questão de aprovar a iniciativa, “acho que é de louvar este tipo de atividade e ainda fico mais contente por abrir as portas à freguesia de Ariz. Sempre que precisarem, este espaço estará ao dispor”, referiu.

Enquanto uns confortavam o estômago, outras pessoas aproveitavam para descansar, e entre elas estava José Ferreira, um dos participantes mais velhos a fazer todo o percurso. Com 82 anos, o Sr. Ferreira como é conhecido, estava na companhia da família e confessava que fez muito bem todos quilómetros, “estou habituado a não estar parado e andar sempre de um lado para o outro, o que ajudou para que não custasse tanto hoje, foi uma caminhada muito bonita”, dizia orgulhoso por ter feito todo o passeio.

A verdade, é que com mais ou menos esforço despendido, parecia evidente o contentamento de todos, os que cumpriram o percurso até ali e estavam prontos para os últimos metros em direção ao Salão Paroquial, onde seria servido o almoço.

Cinco horas depois do início da “descoberta” de Ariz, numa caminhada cheia de história vivida por centenas de pessoas, estava na altura de alimentar o corpo, com uma refeição que tinha na ementa leitão, churrasco, feijão preto, arroz, caldo verde, várias sobremesas, vinhos, sumos e água. Um almoço, que segundo a organização resultou da generosidade de muita gente, ”foram muitas as ofertas de comida, sobremesas e bebidas permitindo assim, que o dinheiro dos bilhetes fosse quase todo destinado ao objetivo para que foi criada esta atividade, mas as doações não foram apenas comida e bebida, algumas pessoas que mesmo não podendo comparecer ao evento, fizeram questão de comprar bilhete ou fazer a sua doação em dinheiro”, disse Paula Cardoso, membro da organização.

Traduzido em números, foram vendidos 550 bilhetes, cerca de 400 caminhantes aventuraram-se a fazer o percurso e o almoço sentou à mesa 500 pessoas.

Assim, “muito positivo” foi o balanço da organização que realçou a adesão da população, “correu tudo muito bem, as pessoas aderiram em grande número e apesar do trabalho ter sido muito e o esforço ter sido grande, valeu a pena”, referiu Fátima Magalhães, “ainda não fizemos as contas, mas penso que as receitas conseguidas foram muito boas”, acrescentou Paula Cardoso.

Todo o esforço da equipa que se voluntariou para concretizar a iniciativa, também foi valorizado pelo pároco da freguesia, que elogiou o trabalho de todos e ainda quis dar destaque à comunidade, “agradeço a recetividade na participação e na alegria como colaboraram e fico feliz em ver uma comunidade unida” referiu no discurso de agradecimento.

Comunidade essa, que percorreu dez pontos históricos da freguesia que se estenderam por onze quilómetros, saboreou o almoço servido ao ar livre junto ao Salão Paroquial e ainda, foi brindada com a animação a cargo de um grupo improvisado de concertinas e acordeão, que cantando de mesa em mesa, lá foram animando a tarde.

No entanto, a festa não terminou sem os tradicionais foguetes e a entrega, a cada um dos participantes, de um certificado que tinha escrito a “vontade de ajudar”, que todos tiveram nesta aventura à descoberta de Ariz.

Foi uma maratona cultural que deixou na memória, os locais e o património onde outrora se fez a história que hoje é contada e que será passada de geração em geração. Um conhecimento que ao longo do dia foi partilhado e celebrado.

Autor: Cristina Riboira
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2011-07-24 02:21:43
Por mim falo sem problemas tenho a rua livre,nao sou marcoense, mas custa-me ver o grau de subdesenvolvimento a debelidade cultural de muitos dos que aqui escrevem. Assim caros amigos, nem com TGV,autoestradas para mostrarem os seus pópós, centros c (...)
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