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13-01-2012 - 10:03

A MORTE E A HERANÇA

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Morreu há pouco tempo uma senhora com 98 anos de idade. Esteve muito tempo num quase estado de coma, não falando, não ouvindo, e sendo alimentada por sonda.

Essa senhora tinha quatro filhos que muito antes da mãe morrer já andavam «às turras» por causa da herança. O facto é que não contavam que a mãe durasse tantos anos e fosse por isso gastando algum do dinheiro com que eles contavam (!). É lamentável, mas verdadeiro. É certo que não faltaram com nada à mãe, mas ver o «dinheirinho» a escoar-se deve ter-lhes causado um certo mal-estar (não quero fazer juízos, mas…).

A que propósito vem este facto que eu relato – podem perguntar os leitores? Vem a propósito do que se está a passar entre nós com a guerra do Iraque, Afeganistão, Paquistão, etc.? No Iraque a guerra ainda mal tinha começado, a Administração americana subestimou o poder do inimigo e aquilo que eles pensavam ser um «passeio» mostrou-se um grave problema. Os iraquianos, que os americanos julgavam que iam refugiar-se nos países vizinhos e para quem preparou campos especiais, fizeram o contrário: os que se encontravam fora do país regressaram em massa para combater as forças da coligação. Assim os americanos na sua ingenuidade e ganância retiraram com os seus soldados mortos. Generais responsáveis avisaram que os muitos milhares de soldados que a América disponibilizou, não chegavam para tomar a capital do país, onde soldados e civis estavam armados e onde se prevê uma operação de guerrilha que vai trazer muitas baixas dos dois lados. E o urânio enriquecido? Onde se meteu? O que ficou foi o reconhecimento do erro americano e um país devastado.

Pois bem. Sabemos que houve países, como a França, que não concordaram com a invasão, mas agora já se fizeram ouvir, reclamando uma parte no negócio da reconstrução do Iraque que eles vêem destruído. Isto é pensar na herança, antes da morte daquele de quem vão receber algo.

Nós também já pensamos que no fim da guerra poderá haver forte emigração para o Iraque para ajudar à reconstrução do muito que já está destruído e ainda é só uma amostra.

E o petróleo? Desse nem é bom falar – move montanhas e faz com que tenha sido, na minha fraca opinião, um motivo mais forte do que aquele que nos quiseram fazer acreditar – que iam com a missão de libertar um povo da tirania de um ditador e resguardar o mundo de uma bomba atómica.

Tudo isto: reconstrução, petróleo, urânio, etc, podem ser motivações económicas legítimas, mas com tantas mortes, atrocidades e destruição de tão rico património, como tinha o Iraque, tudo se torna ilícito, para não dizer criminoso.

Autor: Maria Fernanda Barroca
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