Castelo de Paiva: Resíduos de carvão ardem incessantemente há três meses

Milhares de toneladas de resíduos de carvão estão a arder no subsolo da freguesia de Pedorido, em Castelo de Paiva. A combustão deste material retirado das Minas do Pejão foi provocada pelo incêndio de 15 de outubro que afetou o concelho paivense e está a preocupar moradores e entidades oficiais. Sobretudo pelo intenso fumo e cheiro a enxofre que liberta e poderá colocar em perigo a saúde de 32 utentes do lar da Associação de Reformados, Pensionistas e Idosos de Pedorido (ARPIP), que está localizado a cerca de 50 metros de um dos locais mais problemáticos.

Os Bombeiros de Castelo de Paiva já tentaram resolver o problema, mas não obtiveram efeitos práticos. “Estivemos uma tarde inteira a despejar água para cima do solo, mas não conseguimos terminar com a combustão. A única solução passa por usar uma máquina para retirar o material existente e depois apagar o fogo”, defende o comandante dos Bombeiros de Castelo de Paiva, Joaquim Rodrigues, que confessa não saber a quantidade de resíduos de carvão existente em Pedorido.

Esta sexta-feira, a Empresa de Desenvolvimento Mineiro, à qual compete a caracterização e recuperação ambiental das áreas mineiras degradadas e sua monitorização, no âmbito do contrato de concessão atribuído pelo Estado, avaliou a situação e os seus técnicos garantem que não há perigo para a saúde pública. “Há a necessidade de acompanhar e monitorizar a situação, mas, do que tivemos oportunidade de analisar, não há riscos imediatos e que sejam significativos para a população”, defendeu Edgar Carvalho.

O técnico da Empresa de Desenvolvimento Mineiro esclareceu, inclusive, que a “chuva trouxe maior visibilidade à situação pela infiltração das águas pluviais, que acabam por vaporizar e fazer mais fumo”. “Mas trata-se essencialmente de vapor de água”, reforçou.

Mesmo assim, há pessoas preocupadas. “Não se sabe o que se passa no subsolo. O jazigo da mina é muito grande e temo que este já possa estar todo em combustão”, alega António Pinto, um ex-mineiro de Pedorido. Já o presidente da Junta da União de Freguesias de Raiva, Pedorido e Paraíso, Joaquim Martins sustenta que “quando há vento as populações sentem muito o cheiro a enxofre e isso pode ser prejudicial”. Posição defendida, igualmente, por Luís Costa, presidente da ARPIP, que revela ter contactado o dono das Minas do Pejão ainda em outubro. “Ele disse-me que ia procurar alguém que conseguisse resolver o problema, mas até agora nada foi feito”, acrescenta.

Assim, ao longo dos últimos três meses, os 32 idosos do lar conviveram diariamente com o fumo e cheiro a enxofre saído do subsolo, o que, para o presidente da ARPIP, “faz mal a toda a população e, sobretudo, aos que estão mais próximos, que são os utentes do lar”.

Já Gonçalo Rocha, presidente da Câmara de Castelo de Paiva, espera que a tomada de decisão seja rápida e que permita “debelar uma situação que não sendo de alerta é preocupante e tem de ser resolvida a contento e o mais rápido possível”,sustentou.

 

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