Rancho Folclórico de Nespereira quer dinamizar Museu Etnográfico em Cinfães

A dinamização do Museu Etnográfico Quinta da Granja é um dos projetos mais recentes da Associação do Rancho Folclórico de Nespereira, do concelho de Cinfães.

Maria Emília Teles, elemento do grupo de folclore há mais de 30 anos, revelou que o projeto é “ambicioso”.

“O rancho já existia há muitos anos, mas não tinha sede. Tínhamos um lugar emprestado, uma garagem para ensaios, fazíamos as atividades e andávamos sempre para ‘aqui ou para ali’. Ou íamos para o salão da igreja ou íamos para o campo de futebol, até que surgiu a hipótese de comprar esta quinta”, recordou.

A compra, ainda na altura do escudo, “teve apoio da Câmara Municipal e da Junta de Nespereira, mas contou sobretudo com muito trabalho desta família”, sublinhou Maria Emília Teles, referindo-se ao grupo folclórico.

Depois da compra deu-se o restauro do espaço para o projeto do Museu Etnográfico.

Um museu que “é de toda a comunidade” e por isso “precisa de ser dinamizado”, afirmou. “Tem de haver uma interligação com a comunidade. Já temos visitas, que são programadas, mas não temos ninguém aqui a tempo inteiro. Isso é um dos projetos a curto prazo desta associação”, mencionou a porta-voz.

O Museu Etnográfico de Nespereira é constituído por diversos objetos, móveis, utensílios, roupas, alfaias, elementos oferecidos pela população, sendo importante “preservar, limpar, catalogar e inventariar”.

Segundo a cinfanense, um dos principais objetivos do Rancho Folclórico de Nespereira centra-se na recolha, preservação e divulgação da cultura popular. “Tentamos trazer isso até às populações, não só através do canto e da dança, mas também com cantares de janeiras, de rezas, de teatros, em que se faz a recriação dos nossos bisavós e da emigração para o Brasil. Já fizemos várias peças de teatro nesse sentido”, contou.

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Com a sua atividade o rancho pretende levar à comunidade “todas as raízes que estão esquecidas, para não se perderem e para se preservarem. Para que os vindouros possam conhecer e reconhecer todo o nosso passado, a nossa cultura popular”.

Maria Emília Teles apontou também o convívio como uma mais-valia da associação. “Juntam-se aqui muitas pessoas, senhoras viúvas, senhoras reformadas. As pessoas podem encontrar nesta associação uma forma de terapia e de passar um bocadinho de tempo, de fazer coisas que gostam e que lhes dão prazer. A parte do trabalho, a mais árdua, acaba por não ser nada”, referiu.

Um aspeto muito importante é o facto de 90% do grupo ser constituído por jovens. “Nespereira é rica porque, para além de ter muitas associações, tem associações com muita juventude. Enquanto se anda nestas coisas não se anda a fazer o que não se deve, e isto é também uma forma de transmitir um bocadinho de nós, da nossa cultura”, evidenciou.

“Hoje em dia os grupos folclóricos não são bem tratados, associa-se muito o folclore ao parolo. Mas não, o folclore é cultura popular”, acrescentou Maria Emília Teles.

A Associação do Rancho Folclórico de Nespereira organiza, anualmente, várias atividades, iniciando em janeiro com o Encontro de Reis e Janeiras. Também na época natalícia o grupo representa um trajeto, desde a anunciação até ao nascimento de Jesus, culminando com o presépio. Destaque ainda para o Festival Mundial de Folclore, que é feito há três anos, e o envolvimento nas marchas populares e na divulgação de rusgas.

Não menos importante é o Rancho Folclórico Infantil, um projeto que permite mostrar “a maneira como as crianças vestiam, como brincavam, os brinquedos da época e as danças. Tem havido muita adesão por parte dos pais e das crianças, os pequeninos é que são o nosso futuro”, salientou Maria Emília Teles.

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