Saúde: Cuidado com a Obesidade Infantil

Saúde: Cuidado com a Obesidade Infantil

A obesidade infantil constitui provavelmente a mais importante ameaça à saúde das crianças nos tempos atuais e as próximas décadas verão acentuar-se os danos provocados pela falta de empenho com que este problema foi encarado durante muitos anos.

À progressiva sedentarização das crianças e adolescentes, determinada pela insegurança das ruas, o fácil acesso à televisão e videojogos e a relativamente recente explosão da facilidade de “conviver” nas redes sociais, vieram somar-se alterações profundas nos hábitos alimentares, como o consumo de alimentos ricos em gorduras e açúcares, apoiado em campanhas publicitárias agressivas, que naturalmente visam exclusivamente a potenciação das vendas dos produtos que apregoam.

Se a atual geração de pais parece estar bem consciente de que existe um problema que tem de ser enfrentado e vencido, o mesmo não sucede com a geração dos avós

Se a atual geração de pais parece estar bem consciente de que existe um problema que tem de ser enfrentado e vencido, o mesmo não sucede com a geração dos avós, que acham que obtém o afeto dos netos oferendo-lhes sub-repticiamente alimentos que os pais lhes negam, o que não raras vezes leva a conflitos e até ruturas familiares.

A explicação da importância da harmonia das curvas de percentil de peso e estatura e do índice de massa corporal introduz nestas discussões um caráter de objetividade que muitas vezes lhes falta, e ajuda muitas vezes a fazer compreender a quem tem dificuldade – ou não quer mesmo compreender – que ser amigo de uma criança não é dizer-lhe sempre que sim, mas é muitas vezes dizer não. A isto chama-se educar.

O enfrentar desta situação, que em algumas décadas apresentará a sua fatura em aumento dos casos de obesidade na idade adulta, hipertensão, dislipidemias, diabetes, doenças cardiovasculares e outras cuja correlação se encontra cada vez melhor estabelecida, e que vai traduzir-se numa diminuição importante da esperança e qualidade de vida, terá de mobilizar não apenas as famílias, os médicos, os nutricionistas, os psicólogos e demais grupos profissionais envolvidos, mas exigirá também medidas corajosas de regulação, que neste momento já não primam pela celeridade.

 

Santa Saude-Dr Cidrais

José Carlos Cidrais Rodrigues
Diretor do Serviço de Pediatria do Hospital Pedro Hispano/ULS Matosinhos
Consultor de Pediatria do Hospital da Santa Casa da Misericórdia do Marco de Canaveses

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