Não nos podemos esquecer que Ser Criança é poder Brincar 

Não nos podemos esquecer que Ser Criança é poder Brincar 

O Dia da Criança é sempre um dia para a reflexão de vários motivos que desassossegam pais e pediatras na sociedade em que as nossas crianças vivem…

Ao longo do tempo e de acordo com as exigências da nossa sociedade evoluímos muito ao nível das questões da alimentação, da vacinação, da prevenção e do tratamento de doenças do corpo e da mente.

No entanto, foram ficando para segundo plano questões que raramente são debatidas em reuniões e que nem sempre mereceram reflexão. 

Uma dessas questões é o atropelo de que são vítimas no seu direito à brincadeira, pois ser Criança é poder Brincar.

As situações responsáveis para este facto são várias: a falta de tempo e ausência de familiares diretos são duas delas que se foram agravando nos últimos anos com migrações de muitos portugueses, o trabalho por turnos, a exigência da profissão, o trabalho longe de casa, até a reforma dos avós que tarda cada vez mais. Todas estas situações proporcionam menos tempo para a família menos tempo livre e com um relógio contra o tempo que teima em não parar.

Cada vez mais a nossa sociedade vem sendo confrontada com a escolarização precoce, sem respeito pela maturação das crianças com a falsa ideia de que agora “são mais precoces” e “crescem mais rápido”. Não sobra tempo para brincar, para ter “tempo para não fazer nada” e de conviver como antigamente.

Temos de ter em atenção para não cairmos na tentação de exigir às nossas crianças que sejam escolarizados precocemente e não aprendam a usar o tempo para brincar a melhor forma de aprender e ao mesmo tempo temos a preocupação de lhes oferecermos brinquedos “didáticos”. Muitas vezes com o pensamento que são os brinquedos ideais para cada idade e esquecendo que o melhor brinquedo é aquele que se adapta não só a cada fase de desenvolvimento mas também às necessidades únicas de cada uma.

O brinquedo ideal tem também a capacidade de recriar e de gerar brincadeira das coisas comuns do dia-a-dia. É o responsável por estimular gargalhadas, em promover a descoberta dos sentidos, em incentivar a criatividade, em fazer crescer a autoestima. Em condições ideais todas as crianças teriam acesso a esse brinquedo, o seu brinquedo preferido, Brincar com os seus…

Com este tempo de brincadeira as crianças aprendem e ensinam, descobrem o mundo, lutam contra maus e salvam os bons. Aprendem a sentir, a tocar e a imaginar. Aprendem também a errar, a lidar com as frustrações, a ser tolerantes, a agradecer e a crescerem pessoas melhores.

Na literatura são vários os estudos que comprovam que para a criança se desenvolver precisa de brincar. Para isso não bastam os recreios. A criança tem de ter tempo para brincar depois da escola, ao ar livre e idealmente com atividade física e no mínimo 10 minutos diários de brincadeira com os pais.

E que tenham os dias cheios de abraços e de brincadeiras.

 

Pediatra---Leonilde-Machado

Leonilde Machado
Pediatra

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