Cinfães: Presidente da ANCRA defende que a raça arouquesa é ‘o nosso património genético’

Cinfães: Presidente da ANCRA defende que a raça arouquesa é ‘o nosso património genético’

A raça Arouquesa foi tema do Serão de Aldeia, dinamizado pela Dolmen, que decorreu em Cinfães, no passado dia 25 de maio.

Presente no evento, o presidente da ANCRA – Associação Nacional dos Criadores da Raça Arouquesa, Fernando Moreira, destacou a importância da criação deste animal. “É bom que, quer as associações, quer o poder central, quer o poder local, tenha consciência que a única identidade transversal a todo o território é a raça arouquesa. Acompanhou-nos na nossa evolução faz parte dos nossos antepassados, faz parte da nossa cultura, faz parte da nossa economia e da nossa vivência do dia-a-dia”, enalteceu.

O presidente afirmou que a produção animal “está estabilizada”. “Estabilizou há uns anos atrás. Pela falta de novos criadores, outros criadores foram aumentando o seu efetivo, e o efetivo está estabilizado, com cinco vacas reprodutoras e temos cerca de 3600 vitelos por ano”, revelou.

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Relativamente a objetivos, o presidente apontou a manutenção da raça arouquesa como prioridade. “Nem nos passa pela cabeça sequer que ela venha a baixar, quanto mais acabar. Isto é a nossa identidade, o nosso património genético, é aquilo que é transversal a uma região e portanto temos de o preservar”, relembrou.

No entanto, a falta de ajuda é apontada como um problema para a produção. “Todo o agricultor tem isto, ou como uma segunda profissão, como uma agricultura de 2º plano, e aqueles que fazem disto profissão tem que ter um efetivo considerável para poderem viver, logicamente que as ajudas do estado baixaram, com os cortes que tivemos no quadro comunitário anterior, mais acentuado neste novo quadro comunitário”, explicou.

Dificuldade que é aliviada com a “garantia de Bruxelas”. “O quadro vai-se estender até 2030, é uma boa notícia para os nossos agricultores, as ajudas vão-se manter”, revelou. O presidente ressalvou ainda a ajuda das autarquias como fundamental. “Felizmente também a nossa autarquia, em paralelo com outras autarquias do Solar da Raça tiveram o cuidado de olhar e perceberam as dificuldades dos nossos agricultores e comparticipam com uma ajuda ao nascimento de cada vitelo no Solar da Raça”, disse.

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Segundo Fernando Moreira, outro dos problemas é a falta de renovação geracional. “As pessoas vão trabalhar para a cidade e têm sempre aqui as suas origens e voltam ao fim-de-semana, mas um animal necessita de ser alimentado todos os dias, não é autossuficiente como sabemos. Isso faz com que os que ficam sejam os resilientes, os velhotes, as pessoas idosas e não temos novas gerações”, lamentou.

Opinião partilhada por um dos produtores presentes no evento, Fernando Mouta, que garantiu que “é muito difícil atrair jovens”. “Não é fácil conseguir puxá-los para as aldeias e fazer com que eles venham para trabalhar na agricultura”, admitiu.

Outra das principais dificuldades identificadas pelo produtor centra-se, conforme apontou também Fernando Moreira, nos cortes das ajudas. “Os agricultores, em algumas das ajudas, tiveram cortes de 50%, isso foi muito mau. No meu caso fui obrigado a reduzir o meu efetivo em 15 cabeças, porque cheguei à conclusão que a margem de lucro, com os cortes que tive, não dava para as ter”, disse.

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Apesar destes aspetos, Fernando Mouta não tem dúvidas: “Esta é uma das maiores profissões do mundo, é uma profissão importantíssima porque se os agricultores não trabalharem chegávamos a um ponto que não tínhamos o que pôr na mesa”.

Francisco Neto, médico veterinário e professor na UTAD, salientou que “este Douro Verde só faz sentido com uma articulação entre grandes produções, como é o caso da raça arouquesa”, assegurando que “a carne arouquesa é uma das melhores do mundo”.

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Para o veterinário é importante haver uma “articulação com outros animais”, uma vez que podiam existir na região “cozinhas tradicionais com base nos suínos”.

Esta iniciativa dinamizada pela Dolmen, integra o projeto ‘Economia Ativa no Douro Verde’ apoiado ao abrigo do Sistema de Apoio às Ações Coletivas do Norte 2020 – Promoção do Espírito Empresarial em Territórios de Baixa Densidade.

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