Cinfães: ‘Serão da Aldeia’ da Dolmen debateu a raça arouquesa

Cinfães: ‘Serão da Aldeia’ da Dolmen debateu a raça arouquesa

O Museu Etnográfico Quinta da Granja, na freguesia de Nespereira, no concelho de Cinfães, recebeu o Serão de Aldeia ‘Tradição e Inovação | Resiliência em Meio Rural: Raças Autóctones’, organizado pela cooperativa de desenvolvimento Dolmen.

Este serão decorreu no âmbito do projeto ‘Economia Ativa no Douro Verde’, apoiado ao abrigo do Sistema de Apoio às Ações Coletivas do Norte 2020 – Promoção do Espírito Empresarial em Territórios de Baixa Densidade.

Antes ainda, os participantes visitaram duas explorações bovinas, em plena Serra de Montemuro, onde puderam observar como é o dia-a-dia dos produtores locais.

Pedro Semblano, vereador da Câmara Municipal de Cinfães e membro da direção da Dolmen, referiu que neste serão pretendeu-se fazer “um regresso ao passado”. “Trazer aquilo que era uma cultura muito própria das nossas gentes, de entre ajuda, de colaboração”, indicou, acrescentando esperar que “estes Serões da Aldeia sirvam exatamente para nos unir, para discutirmos aquilo que tem que ser discutido”.

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Pedro Semblano

No que respeita ao tema desta iniciativa, o vereador realçou a importância da ligação da produção dos animais à promoção turística do concelho. “A produção animal pode ajudar-nos a ter outras produções, dentro da área agrícola. Fazer aqui uma complementaridade que está ligada com o turismo e está ligada com todas as outras áreas económicas”, apontou.

Na sua intervenção, Elsa Pinheiro, coordenadora do Dolmen, explicou que durante a sessão foram abordadas questões e potencialidades da criação animal, com enfoque na raça arouquesa, que tem em Cinfães “o planalto de excelência. É onde há o maior número animal”.

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Elsa Pinheiro

“Queremos que a criação animal seja transposta para outras áreas, nomeadamente de restauração, pois a gastronomia é também um ponto essencial da promoção do território”, destacou a coordenadora.

O presidente da ANCRA – Associação Nacional dos Criadores da Raça Arouquesa, Fernando Moreira, afirmou que a produção animal “está estabilizada”. “Estabilizou há uns anos atrás. Pela falta de novos criadores, outros criadores foram aumentando o seu efetivo, e o efetivo está estabilizado, com cinco vacas reprodutoras e temos cerca de 3600 vitelos por ano”, revelou.

Relativamente a objetivos, o presidente apontou a manutenção da raça arouquesa como prioridade. “Nem nos passa pela cabeça sequer que ela venha a baixar, quanto mais acabar. Isto é a nossa identidade, o nosso património genético, é aquilo que é transversal a uma região e portanto temos de o preservar”, relembrou.

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Fernando Moreira

Segundo Fernando Moreira, um dos grandes problemas é a falta de renovação geracional. “As pessoas vão trabalhar para a cidade e têm sempre aqui as suas origens e voltam ao fim-de-semana, mas um animal necessita de ser alimentado todos os dias, não é autossuficiente como sabemos. Isso faz com que os que ficam sejam os resilientes, os velhotes, as pessoas idosas e não temos novas gerações”, lamentou.

Opinião partilhada por um dos produtores presentes no evento, Fernando Mouta, que garantiu que “é muito difícil atrair jovens”. “Não é fácil conseguir puxá-los para as aldeias e fazer com que eles venham para trabalhar na agricultura”, admitiu.

Outra das principais dificuldades identificadas pelo produtor centra-se nos cortes das ajudas. “Os agricultores, em algumas das ajudas, tiveram cortes de 50%, isso foi muito mau. No meu caso fui obrigado a reduzir o meu efetivo em 15 cabeças, porque cheguei à conclusão que a margem de lucro, com os cortes que tive, não dava para as ter”, disse.

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Fernando Mouta

No entanto, Fernando Mouta não tem dúvidas: “Esta é uma das maiores profissões do mundo, é uma profissão importantíssima porque se os agricultores não trabalharem chegávamos a um ponto que não tínhamos o que pôr na mesa”.

Francisco Neto, médico veterinário e professor na UTAD, salientou que “este Douro Verde só faz sentido com uma articulação entre grandes produções, como é o caso da raça arouquesa”, assegurando que “a carne arouquesa é uma das melhores do mundo”.

Para o veterinário é importante haver uma “articulação com outros animais”, uma vez que podiam existir na região “cozinhas tradicionais com base nos suínos”.

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Em forma de conclusão a Dolmen revelou que “não se pode pensar em desenvolvimento rural do território, especialmente de montanha, sem se pensar em agropecuária e um território povoado é seguramente um território mais rico”.

Os 13 Serões da Aldeia serão dispersos por todo o território do Douro Verde, nomeadamente Amarante, Baião, Cinfães, Marco de Canaveses e Resende. Este último será palco do próximo serão, já dia 1 de junho, onde a cereja de Resende será a temática em debate. O projeto decorre até agosto de 2019.

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