Felgueiras: Empresa de calçado despede 130 trabalhadores

Felgueiras:  Empresa de calçado despede 130 trabalhadores

O Grupo Sozé, que desde 1976 se dedica à produção de calçado e que em, em 2014, atingiu os 15 milhões de euros de faturação, encerrou as duas fábricas de Felgueiras e Ponte de Lima. E encaminhou para o Centro de Emprego cerca de 130 trabalhadores, que foram surpreendidos com a carta de despedimento quando gozavam as férias de Páscoa.

Não foi possível obter, até ao momento, uma explicação dos responsáveis do Grupo Sozé. Também os trabalhadores não conseguiram chegar à fala com a administração de uma empresa que produzia calçado para gigantes mundiais como a Ecco, Lacoste, Gant e Hugo Boss.

Aquele que era um dos símbolos da pujança do setor do calçado em Felgueiras começou o seu percurso sob a denominação Codizo, empresa que, em 2016, foi integrada no Grupo Sozé. A exportar para 20 países e a produzir para marcas conceituadas no mercado internacional, tudo corria bem, até que, no ano passado, o pagamento dos ordenados começou a ser feito cada vez mais tarde. “Recebíamos antes do fim de mês, depois passou a ser entre o dia 4 e 5 do mês seguinte e, no fim, era ao dia 18”, recorda um dos trabalhadores. Com medo de represálias, nenhum dos funcionários contactados quis ser identificado, mas todos confirmaram que, no último Natal, o administrador da empresa ofereceu um bolo-rei a cada um e garantiu que os problemas financeiros iriam ser resolvidos. Mas o certo é que, já no início deste ano, os primeiros 20 operários, foram despedidos. “E em fevereiro e março já não recebemos os ordenados. Pagou-nos, nestes dois meses, apenas 185 euros”, conta um dos despedidos.

Sem dinheiro, os funcionários chegaram a suspender a produção no final de março, o que provocou nova reunião com a administração. “Mandou-nos duas semanas de férias e disse-nos que no dia 6 de abril tudo ficaria definido”, descreve um dos trabalhadores. E, efetivamente, nesse dia os funcionários receberam, pelo correio, a carta de despedimento. “Na segunda-feira dirigimo-nos à empresa e a empregada de escritório entregou-nos os documentos para apresentar no Centro de Emprego. Não percebo o que se passou, porque não havia falta de trabalho e tinham chegado encomendas novas”, refere um dos novos desempregados.

Carlos José, do Sindicato do Calçado, revela que os responsáveis do Grupo Sozé alegaram, durante um encontro com o sindicalista, que “os passivos eram maiores que os ativos” e que “o pagamento de dívidas antigas” criou dificuldades inultrapassáveis à empresa. Explicações que os trabalhadores não compreendem.

Despedidos já com contactos para voltar ao trabalho

O despedimento de cerca de 100 trabalhadores (os restantes 30 estavam integrados na unidade de Ponte de Lima) poderia provocar uma crise social em Felgueiras. Porém, para o sindicalista Carlos José, esse efeito será minimizado com o vigor das empresas de calçado no concelho. “A maioria das pessoas já tem a perspetiva de, a curto prazo, ter um novo emprego. Há muitas empresas de calçado que querem trabalhadores e não os conseguem arranjar”, justifica.

 

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