Reportagem: Em Lousada pobreza não é sinónimo de insucesso

Reportagem: Em Lousada pobreza não é sinónimo de insucesso

A Escola EB 2,3 e Secundária de Lousada Oeste apresenta a maior percentagem de alunos que beneficiam de Apoio Social Escolar. Ou seja, este estabelecimento de ensino, sedeado em Nevogilde, é frequentado, sobretudo, por alunos oriundos de famílias com parcos recursos financeiros.

Mas aquilo que devia ser um entrave ao sucesso escolar, não impede que esta escola ocupe um honroso lugar no ranking das escolas construído com base nos resultados dos exames nacionais do ano passado.

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Inês Catarina é o exemplo

Inês Catarina Barbosa, 17 anos, é filha de um jardineiro e de uma doméstica, que apenas completaram o 9º ano de escolaridade. Mas, apesar das parcas possibilidades financeiras da família, esta aluna é uma mente brilhante que consegue excelentes notas nos exames nacionais. “No ano passado, fiz os exames de Biologia e Físico-Química. Não me lembro muito bem, mas penso que as notas rondaram os 18 valores. Vou repeti-los para melhorar a nota”, diz, com uma simplicidade desarmante.

Inês Catarina é também um dos exemplos maiores do que acontece na Escola EB 2,3 e Secundária de Lousada Oeste, que regista a maior percentagem do país de alunos beneficiários de Apoio Social Escolar. Em Nevogilde, terra que acolhe a escola, 73,9% dos jovens que frequentam o 10º, 11º e 12º ano de escolaridade usufruem do escalão A ou B. E é também nesta localidade que as habilitações dos progenitores são das mais baixas: 5,93 anos de escolaridade média para os pais, 6,26 anos para as mães. Nada, no entanto, que impeça este estabelecimento de ensino de estar a meio da tabela do ranking nacional (324 posição), ao lado de escolas citadinas, frequentadas por alunos oriundos de estratos sociais elevados e de famílias de doutores e engenheiros.

A classificação de exame média foi, em 2016/17, de 10,45 valores

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“Os meus pais sempre me incentivaram a estudar e mostraram-me que seria um bom caminho ir para a universidade. Mas também sempre me deram a oportunidade de escolher o meu futuro”, justifica Inês Catarina. Aluna do 12º ano, acrescenta outra razão para o sucesso alcançado em Lousada: “existe um estereótipo de que só as escolas dos grandes centros urbanos é que são boas. Mas não passa disso mesmo, de um estereótipo errado. Nesta escola não somos mais um. Somos a Inês e o João, conhecidos por todos e isso é um privilégio”.

Inês Catarina garante, ainda, que em Lousada Oeste existem “ótimos professores que, mais do que debitar conhecimentos, querem formar cidadãos” e que “permitem que os alunos tenham voz”.

75,6% é a percentagem de professores de quadro em Lousada

E dá como exemplo a “República dos Jovens”, projeto que reúne direção, docentes e representantes dos alunos numa espécie de Parlamento, no qual são definidas regras e tomadas decisões com a colaboração de todos. “No ano passado, o Regulamento Interno da escola foi feito com propostas dos alunos”, recorda a diretora da EB 2,3 e Secundária Lousada Oeste.

Luísa Lopes destaca, por outro lado, o “reforço de algumas disciplinas em mais uma hora letiva semanal”, o que permite “consolidar e reforçar conteúdos”. E sustenta que a escola promove, para “os alunos do ensino secundário, aulas de apoio e de preparação para exame, às disciplinas sujeitas a avaliação externa”.

73,9% dos alunos da Escola Lousada Oeste concluem o ensino secundário

E, por fim, há projetos como a rádio-escola e a Escola Microsoft (em 2010, Nevogilde foi um dos locais selecionados pela multinacional para integrar uma rede mundial de escolas que usavam tecnologia no sistema de aprendizagem) que captam a atenção dos alunos.

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