Tribunal de Penafiel: Médico negou responsabilidades em morte de criança de Lousada

Tribunal de Penafiel: Médico negou responsabilidades em morte de criança de Lousada

Rafaela, de 4 anos, realizou no Hospital Padre Américo, em Penafiel, uma simples cirurgia ao nariz e ouvidos. A operação demorou, como estava previsto, menos de 20 minutos e não teve qualquer complicação. Porém, no pós-operatório, a menina de Nevogilde, Lousada, vomitou a cada 30 minutos e não teve, como era expectável, alta médica nas horas seguintes. Pelo contrário, sofreu convulsões e foi transferida para o Hospital São João, no Porto, onde acabaria por morrer no dia 18 de novembro de 2013.

O Ministério Público concluiu que a morte da criança ficou a dever-se a níveis extremamente baixos de sódio, provocados pelo excesso de soro administrado e acusou, também por ter “abandonado o hospital sem reavaliar a paciente e ter-se limitado a dar instruções por telefone”, o médico anestesista de um crime de homicídio por negligência.

Mas, no julgamento que na terça-feira começou no Tribunal de Penafiel, José Macieira negou qualquer responsabilidade. “Lamento profundamente o que aconteceu à Rafaela e estou solidário com o sofrimento dos pais. Mas não foi dado soro a mais. Foi prescrita a quantidade certa para o peso da menina”, referiu. E reforçou: “existe um protocolo com indicação para a administração de fármacos para o controlo de vómitos e ele foi seguido”.

Família da menina falecida à porta do tribunal

Família da menina falecida à porta do tribunal

Sem encontrar explicações para a morte de Rafaela – “já falei com vários colegas e ninguém consegue perceber o que aconteceu” -, José Macieira também sustentou que “não houve nada de anormal” neste caso. “Aquele quadro de vómitos é tão comum que não se prevê a realização de exames complementares”, defendeu.

O anestesista, que naquela manhã esteve envolvido em sete cirurgias, garantiu, ainda, que observou “quatro ou cinco vezes” Rafaela após esta ter sido operada. “E a mãe não mostrou preocupação pelo estado da filha”, assegurou.

Versão, contudo, desmentida por Fernanda Nunes. “De meia em meia hora, a minha filha vomitava e não foi feito nada. Nenhum médico esteve à beira da Rafaela até ela ter ido, da parte da tarde, para a Pediatria”, afirmou a mãe. E o pai, José Ferreira, acrescentou que, durante oito horas, só falou com a enfermeira de serviço. “Fartei-me de pedir ajuda e nada foi feito”, recordou.

No Tribunal, os pais de Rafaela revelaram, ainda, que, os médicos do Hospital São João defenderam que a filha tinha morrido por negligência médica. “Disseram-nos que uns grãos de sal a tinham salvado”, referiu José Ferreira.

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